sábado, 22 de dezembro de 2012

Os 25 melhores filmes de terror no Natal.

Desde que o filme 'Halloween' em 1979, ganhou luz pela mãos de John Carpenter, e Michael Myer tornou-se o serial killer do dia 31 de outubro, 'oficialmente' foi inaugurado um estilo de filmes de terror que tinha nas datas comemorativas do calendário seu principal argumento.Com a porteira aberta a um novo quinhão cinematográfico, tudo foi explorado até a última gota (de sangue): o dia das bruxas, o dia do mentira, o dia dos namorados, a Páscoa, o Natal e – não duvide – até o Réveillon. Conduto, mais até do que a própria Noite das Bruxas, o Natal é uma época que sempre instigou a imaginação mais negra da sétima arte, talvez pelo contraste de ligar uma festividade tão cheia de valores bons, a algo tão obscuro e 'mal' como o terror, o fato é que em função da imensa quantidade (e da qualidade duvidosa) resolvi lista 'apenas' os 25 melhores filmes de terror que se passam na noite de natal.



1 - GREMLINS ( Gremlins, 1984, EUA).



Randall Pelter é um inventor fracassado que decide oferecer ao seu filho Billy o melhor presente de Natal de todos. Numa loja escondida de Chinatown, ele compra um criatura chamada 'Mogwai', com um ar felpudo e adorável, que conta de uma forma encantadora. Mas o vendedor avisa Randall de que o Mogwai tem um conjunto de regras muito específicas: não pode nunca ser molhado e, acima de tudo, nunca ser alimentado após a meia-noite. Claro o filho Billy comete os dois erros (para alegria dos telespectadores), o que irá fazer com que o Mogwai se multiplique e se transformem em criaturas horrorosas - Gremlins - que causam o caos na véspera de Natal naquela pequena cidade.

‘Gremlins´ é uma comédia de terror familiar que se tornou a referência derradeira do cinema de monstrinhos e do terror “softcore”. Imaginativo e divertido, o filme vem assinado por Joe Dante (que já havia experimentado o gênero terror nos anos 70 com o filme ‘Piranha’) e é - lado a lado com ‘Caça-Fantasmas' - uma das comédias de terror mais amadas de todos os tempos.

O filme foi seguido em 1990 por uma sequencia, ‘Gremlins 2 - The New Batch’, passada na mesma véspera de Natal mas dentro de um arranha-céus gigante onde os Gremlins vão lançar o caos e ameaça toda a sociedade. Hilariante, mas não emblemático, ‘Gremlins 2’ foi também um grande sucesso. Há anos se fala de um terceiro filme, ou uma refilmagem, mas Dante evita ao máximo (para mim como fã dos originais, uma otima noticia, afinal os bonecos perderiam muito o seu charme no mundo do CGI). Recentemente fala-se de uma aventura em 3-D dos monstros mas tudo continua em espera.



2 - NATAL SANGRENTO ( Silent Night, Deadly Night, 1984, EUA).


Cartaz original e que gerou a pôlemica.

Cartaz alternativo.

Feito no mesmo ano dos 'Gremlins', porem , mais voltado para o terror, este ‘slasher’ conhecido em Portugal como ‘Noite de Silêncio, Noite Sangrenta’ é um verdadeira obra cult em VHS. Apesar de ter sido feito a reboque do sucesso de ‘Sexta-Feira 13’, o filme ganhou fama de filme perigoso, pois gerou enorme polêmica, na sua estreia no Natal de 1984. Conservadores e católicos consideraram-no um filme perigo e perverso, e chegaram ao ponto de proibir os seus cartazes que mostravam um homem vestido de Pai Natal com um machado entrando numa chaminé.

No filme seguimos a história de Billy Chapman, um homem que presenciou os seus pais a serem mortos a tiros por um assaltante mascarado de Papai Noel. Billy cresceu num orfanato católico onde foi maltratado pelas freiras e em especial para madre superior. Já adulto, ele lança-se numa cruzada homicida, vestido de papai noel, onde vai matando todos os que cruzam o seu caminho até o orfanato.
Apesar de ser um filme de qualidade duvidosa e não ser tão interessante quanto a polêmica em torno dele dava a entender - ‘Silent Night Deadly Night’ foi um grande sucesso comercial. Seguiram-se um punhado de sequencias, não interessantes e sem grande sucesso a não ser no mercado de vídeo. O DVD do filme original foi descontinuado em 2009 e é agora uma raridade. Talvez por isso, no ano de 2013 o filme irá ganhar uma refilmagem. 



3 - UMA NOITE DE FÚRIA (Santa’s Slay, 2005, EUA).


O Filme usa o mito de Papai Noel e a noite de Natal como pano de fundo para um filme de humor negro, e ação de tirar o fôlego. Papai Noel sempre foi muito mau, filho bastardo do próprio capeta e uma das mulheres de Adão (sim segundo a mitologica antiga, a mais conhecida das outras mulheres de Adão era Lilith, mulher que dar nome e historia para 90% das vilãs de filmes e livros de terror), "Santa Kraus" assim era um tipo de super-humano, que usava seus dons como imortalidade e super força para tocar o terror entre os humanos normais, durante uma vez por ano o cara exagerava e promovia o 'dia dos assassinatos' onde se vestia-se de vermelho e entre bebida ali e uma mulher acolá, saia dizimando todo mundo, um belo dia, devido a sua grande vaidade e arrogância, aceita uma aposta com um anjo, e após perder esta aposta para o anjo ( na verdade um jogo), o Santa Klaus é obrigado a ser bonzinho por 1.000 anos, distribuindo presentes e todo o resto que nós conhecemos, nascer assim o natal e a figura do papai noel que estamos acostumados. Ocorre que, com o fim do prazo, Papai Noel quer recuperar todo o tempo perdido e corrigir sua reputação. Para isso decide atropelar a noite de Natal, em uma pequena cidadezinha chamada 'Condado do Inferno'. Agora somente um velho maluco que odeia o natal (e convienimente tem o livro que explica toda a historia verdadeira do Papai Noel), seu neto adolescente abobalhado, e sua a namorada, e claro o anjo da aposta de mil anos, devem se unir para tentar salvar o natal, deste poderoso semi-deus cruel. Atenção: Não recomendável para crianças, pois Papai Noel existe e é mau.

Esse filme é uma comédia de horror que foi lançada em vídeo e não é tão ruim quanto você pode pensar. No papel do Papai Noel assassino encontramos o brutamontes Bill Goldberg, ex-lutador profissional (WWE e WCW), que desanda a espancar os cidadãos da pequena cidade de Inferno com os golpes de luta-livre que fizeram a sua fama. De resto o filme é puro besteirol. Piadinhas infames com judeus e rappers fazem deste filme uma espécie de sessão da tarde para adultos já que na cena onde o velho Noel invade um bordel para ''rechear o peru'' a exposição de peitos é extrema. Uma das cenas mais divertidas do filme se passa no bordel quando Santa Klaus entrega seu trenó (uma réplica de um drakkar viking puxado por um búfalo branco devorador de carne humana) para um confuso manobrista ou quando arranja uma briga com os seguranças locais e decide espancá-los com o mastro de pole dance, mas não antes de fazer uma carinha de nojo e desinfetá-lo com produtos de limpeza.

Destaque para a maneira como a historia da aposta e de como o Santa Klaus ficou obrigado a ser bom é contada ao telespectados, através de teatros com bonequinhos de espuma semelhantes aos da programação da REDE CULTURA. Simplesmente hilário!


4 - NOITE DE TERROR ( Black Cristmas, 1974, Canada).



Talvez o tal, "primeiro slasher da história" (embora mais velho que Halloween, os clichês famosos do gênero como musiquinhas, e mascara, só vieram depois com Michael Myer e se solidificaram 'mais depois ainda' com Jason) e feito no Canadá, é baseado em crimes reais que ocorreram no Quebec na época do Natal.

Uma casa de estudantes universitárias - as populares Sorority Houses da América do Norte - está fazendo um festa de Natal com aquelas que não puderam passar a época com a família. Elas começam a receber telefonemas obscenos de um estranho que progressivamente se tornar mais ameaçador.

Este filme de terror canadense foi alvo de um ‘remake’ americano em 2006, com mesmo nome, pelas mãos da Dimension Films, empresa responsável pela saga ‘Scream’ (Pânico no Brasil). O ‘remake’ chegou a levantar polêmica junto de grupos católicos, pela sua campanha de marketing e por ter estreado no Dia de Natal.

Quer o original quer o ‘remake’ são ‘slashers’ regulares que ambientam-se no Natal mas a narrativa não está intrinsecamente ligada à época mas sim no mundo mórbido de Billy, o psicopata que assombra aquela casa. Para mérito do filme dos anos 70, foi o precursor do género 'slasher'. Já o 'remake' fica na onda do terror violento e 'hardcore' dos anos 2000, e explora mais a fundo o passado de Billy.



5 - A INVASORA (  A L'Interieur, 2007, França).



Nessa produção Francesa, Sarah, é uma jovem fotógrafa, que está sozinha na noite de Natal. Ela está assim desde que seu marido morreu num acidente de carro. Só e grávida, recebe apenas as visitas de sua mãe dominadora e de seu chefe egocêntrico. A noite de Natal é o último dia antes de ir para o hospital ter seu bebê. Mas o silêncio de sua casa é quebrado quando uma misteriosa mulher bate à sua porta. Sarah desconfia e não atende. Todavia, a mulher se recusa a ir embora. Quando as coisas começam a se complicar., Sarah fica temerosa e chama a polícia, enquanto a mulher a observa pela janela. Ao chegar, a polícia não encontra a mulher em lugar algum e, depois de tranquilizá-la, vai embora. Sarah fecha a porta, sem saber que a mulher está dentro de sua casa. Enquanto a noite se transforma numa longa luta entre as duas mulheres, Sarah faz tudo o que pode para se proteger dos ataques, até sentir as primeiras contrações.

Um dos títulos mais fortes do terror francês dos anos 2000 - ‘A L’Interieur’ chocou festivais de cinema pelo mundo fora pelo seu tema e a sua intensidade (para mim, indenpendente do contexto de natal, foi um dos melhores filmes franceses de terror, ou suspense que já assistir). O seu slogan “Abre-me a tua porta, eu abro-te a barriga” causou calafrios por revelar que estava perante um filme que toca num tema tão melindroso como a gravidez. A L’Interieur’ é uma obra eximia do suspense, violenta mas que nunca ultrapassa os limites do mau gosto, mesmo assim o seu tema intenso fez com que Hollywood nunca tenha tentado pegar no filme para fazer um ‘remake’ (felizmente), no entanto o espanhol Jaume Balagueró (‘REC’) chegou a mostrar interesse em reimaginar o filme, mas nunca avançou com o projeto.



6 - PAPAI NOEL DAS CAVERNAS (Rare Exports: A Christimas Tale, 2010, Finlândia).



Outro filme europeu, desta vez na terra onde realmente nasceu a lenda do Papai Noel.

O realizador finlandês Jalmari Helander tem dedicado a sua carreira a expor uma verdade: O Pai Noel não é tão bom como parece. Após vários curtas-metragens, dois deles sobre o tema, Helander estreou no festival de Locarno (na Suíça) uma pequena pérola do fantástico: "Rare Exports: A Christmas Tale", onde o mito do Papai Noel é contado como o era na sua origem finlandesa, antes de reconversão da "Coca-Cola" dada no século XX.

Tudo começou em 2003 com a curta ''Rare Export Inc.'' onde conhecemos um grupo de 'rufias' que tenta caçar uma espécie de monstrinhos que são a inspiração do Papai Noel. O sucesso viral desta curta até gerou uma sequência, o curta ‘Rare Exports: The Official Safety Instructions’, onde vemos  os ‘Santa Claus’ como sendo uma espécie de criaturas violentas que assombram a Finlândia. Neste segundo filme, os monstros Santa Claus são domados e exportados para o mundo todo.

Sete anos depois o diretor resolveu tornar o segundo curta em um longa-metragem, e assim nasceu o filme em questão. Tudo começa numa escavação na Finlândia, nos montes Korvatunturi, onde o estranho realizador de uma espedição pede aos seus funcionários, que sigam uma peculiar lista de normas: "Não chamar palavrões, tratar bem os mais velhos..." Logo é revelado que seu objetivo vai além de busca de minerais, e resume-se em capturar uma estranha criatura congelada. Ocorre que, uma pequena vila (pequena mesmo, com no máximo uns 30 habitantes) próxima a montanha começa a ser vitima de estranhos fenomenos, envolvendo animais mortos, e o desaparecemento de crianças na véspera do natal, cabe ao pai de uma das crianças, tentar conhecer e 'dominar' o estranho homem magro que aparece nu no porão de sua casa. Com um suspense construído muito nas linhas de “The Thing” de John Carpenter (este também com um monstro na neve), Jalmari Helander faz um filme de terror com um sentido de humor mordaz.

Recentemente numa entrevista, o Jalmari explicou que a origem da sua inspiração passou pela sua experiência como criança. “Para muitos, na Finlândia,  Santa Claus castiga as crianças que se portavam mal na época de Natal e não dá presentes a ninguém. É uma espécie de bicho-papão.”




7 - JACK FROST (Jack Frost, 1997, EUA).

Capa do Filme original

A atriz Shannon Elizabeth fazendo sua estreia no cinema, antes de "American Pie"

Cartaz da continuação que se passa numa ilha tropical

Esqueçam o alegre, e divertido elemental do gelo, amigo do Papai Noel, que simboliza o espirito da diversão na neve para as crianças. Neste filme, Jack Frost é o nome de um perigoso psicopata que morre após um acidente na estrada em que o caminhão que o transportava choca-se com outro caminhão carregando um estranho material genético. O material genético se mistura com a neve, e com o corpo do assassino, transformando-o num terrível boneco de neve, com dentes afiados, e sede de vingança.

Efeitos especias toscos, mortes absurdas, e ate uma cena de estupro onde o boneco de neve usa uma cenoura como objeto fálico tão o tom do filme. Seu sucesso apesar de relativo foi grande o suficiente para gerar uma continuação fora da época do natal onde o boneco de neve ataca ate mesmo em uma ilha tropical.

Outro detalhe é que a atriz que é estuprada pelo boneco é a mesma que um ano depois, fez a adolescente NADIA no filme "American Pie - A primeira vez é inesquecivel".



8 -  BRINQUEDO ASSASSINO ( Child´s Play, 1988, EUA).



Durante uma perseguição, um assassino refugia-se numa loja de brinquedo, e entonando um cantico Vodu, consegue transferir sua alma para um boneco antes de morrer. No dia seguinte o boneco e dado de presente ao garoto Andy. Como ate uma porta ja desconfia a essa altura dos acontecimentos, o boneco sai mantando varias pessoas por ai, algumas próximas a Andy, que luta contra todos para provar que o seu 'Good Guy' (a marca do boneco) estar na verdade por trás dos crimes.

Chucky é um dos maiores vilões do cinema de terror, contudo, pouco gente lembra que o assassino abre mão sua forma humana para torna-se Chucky, numa noite de 23 de dezembro de 1988, fazendo assim com que os acontecimentos do filme original ocorresem durante o natal.



9 - SANTA CLAWS ( Santa Claws, 1996, EUA).



O que você faz quando se depara com a sua mãe transando com o Papai Noel?

Bem, o personagem principal de "Santa Claws" - um jovem chamado Wayne - atira muito em ambos (ate por que se ele simplesmente fosse correndo para o quarto e tenta-se esquecer tudo, não ia desenrolar o filme). Mas isso é apenas o começo dos eventos, anos mais tarde, e já crescido, Wayne se torna obcecado por uma bela atriz chamada Raven Quinn, que é especialista em filmes de terror. E a obsessão faz com que ele se vista de Papai Noel e mate toda e qualquer pessoa que se atreva a perturbar sua amada Raven. Sua arma? Garras(!), é claro!

Produção de baixo orçamento, dirigida e roteirizada por John A. Russo (sim, o responsável pelo roteiro da obra suprema do horror “A Noite dos Mortos-Vivos“, de 1968), que no mesmo ano faria algo pior ainda o péssimo “Scream Queens’ Naked Christmas“! Que saudades dos bons tempos.



10 - FÁBULA MACABRA ( Who Slew Auntie Roo?, 1971, Inglaterra).


Este filme da terra da rainha é nada mais nada menos do que o 'primeiro filme de terror com tematica natalina'. O que por si só já vale vaga no top dez dessa lista.

Na historia a atriz Shelley Winters (famosa na Inglaterra, com muitas produções serias no curriculo). faz o papel de uma senhora que vive sozinha numa casa perto de uma montanha, ela simplesmente mantém os restos mortais de sua filha preservados e escondidos no sótão (onde mais?), e numa noite de natal convida as crianças de um orfanato local para a ceia, porem, ela repara que uma uma das meninas estranhamente se assemelha à sua própria filha, ela decide então que a menina vai ficar com ela, para sempre.

O filme é um suspense bem trabalhado, e destaca-se com a bela atuação de Shelley, como uma senhora psicotica cheia de segredos e mascara, coisa que ficou como patrão em varias mães de filmes de terror, além de ter no casal de crianças, uma ótima relação do tipo João e Maria contra a bruxa má.



11 - CHRISTMAS EVIL (Christmas Evil, 1980): Harry era um garotinho que adorava o natal, mas se decepcionou quando flagrou o Papai Noel fazendo sexo oral em sua mãe. Com o passar dos anos, Harry começa a trabalhar em uma fábrica de brinquedos, enquanto tenta a todo custo resgatar o espírito natalino. Mas, o comportamento das crianças, o cinismo e a hipocrisia enchem o saco de Harry, que decide dar início a uma vingança sangrenta! “Se você for mau, então seu nome vai para o livro dos meninos e meninas maus, então, eu trarei algo para vocês... Algo horrível!”


12 -  O SANTO ( Sint, 2010): No filme, descobrimos que São Nicolau (a “versão holandesa” do Papai Noel, por assim dizer) era um bispo-assassino, violento, e líder de uma gangue de psicopatas. Eles massacraram dezenas de pessoas, até que finalmente foram detidos e queimados vivos pelos moradores de um vila, no ano de 1492.

Já durante os anos 60, um garotinho ver toda a sua família ser cruelmente assassinado pelos fantasmas do bispo e seus capangas. Porem, ao contrario de todas as crianças dessa lista de filmes que tem um natal estragado por causa de tarados, assassinos ou bonecos possuidos, o cara deste filme segue o caminho oposto e resolver ser policial para no futuro, quando os fantasmas voltarem estar bem preparado para enfrenta-los. Bem 30 anos depois, a Holanda inteira estar preparada para o mais um feriado de "São Nicolau" conduto, o nosso protagonista estar empenhado em convencer seus superiores de que a figura natalina deles, o tal São Nicolau, irá voltar do túmulo com sua gangue e fazer uma das poucas coisas que ainda é ilegal por lá, como assassinatos brutais em massa. Como qualquer um pode imaginar quando as mortes começam a avançar pela noite, cabe ao nosso amigo policial e um adolescente bobão que sobrevive pelo meio do filme, salvarem sozinhos este 'natal alternativo' do dia 05 de dezembro antes que seja tarde demais.

O filme tem boas cenas de 'gore' com algumas mortes sangrentas e efeitos de computação satisfatórios e o projeto foi realizado por Dick Maas (autor holandês que assinou nos anos 80 ‘The Lift’ e que chegou a realizar nos EUA nos anos 90, 'Do Not Disturb'). 

Cabe alerta conduto que o filme pode parecer meio ofensivo para o público fora da Holanda, pois para os católicos mais fervorosos é meio complicado ver um de seus santos, reduzido a uma mera 'versão' do Freddy Kruguer, o outro detalhe é que ao contrario do Papai Noel consagrado no ocidente, o Nicolau da versão holandesa, usa negros ( na verdade mouros) no lugar de duendes, os quais tem o nome de "Pedro Preto"... Conduto, choques culturais a parte, o filme para mim não tem a pretensão de ser ofensivo a religiões ou etnias, sendo apenas um filme de fantasmas assassinos, que por si só já não deve ser levado a serio.


13 - O TERROR PODE ESPERAR (Don’t Open Till Christmas, 1985): Garoto vê sua mãe morrer num dia de Natal e cresce acreditando que o culpado é Papai Noel, e por causa disso torna-se um perigoso psicopata disposto a matar todas as pessoas vestidas de Papai Noel que encontrar pela frente. Aqui a mística do bom velhinho termina quando você vê exemplos que bebem, assistem a shows eróticos e cometem adultérios em frente aos filhos. Se você começou ler a lista do começo, já deve ter percebido que este filme é uma copia escrachada de 'Natal Sangrento' (que fui lançado um ano antes), tanto que a direção capenga de Edmund Purdom atrapalha o resultado final, mas é um filme bem violento e vale a pena dar uma chance a ele.


14 - P2 - SEM SAÍDA ( P2, 2007): Na noite de Natal, Angela (Rachel Nichols) é a última a sair do escritório, determinada a fechar um último contrato. Quando ela desce até a garagem, descobre que seu carro não liga. Isso não poderia ocorrer em pior hora: ela já está atrasada para o jantar de família, a garagem está deserta e seu celular não pega. Até que Thomas (Wes Bentley), o simpático segurança, lhe oferece ajuda. Ele até a convida para passar a noite de Natal com ele e dividir o jantar que ele está preparando no escritório da garagem, mas ela não o leva a sério. Antes que ela perceba, algo a atinge e ela cai inconsciente. Ao acordar, Angela já está amarrada a uma cadeira no escritório do guarda. Ao que parece, seu convite para o jantar não era opcional - e envolve muito mais do que apenas uma refeição. Agora, se Angela quiser continuar viva ate a manhã de natal, ela terá que encontrar uma maneira de fugir daquela garagem. Ótimo filme de suspense que usa o natal apenas desculpa de um feriado amplo, onde poucas pessoas trabalham, e quase ninquem ligaria para o sumiço da protagonista.


15 - ELVES (Elves, 1990): Apesar da sinopse nacional trazer na capa da Fita isso: "Na noite de natal cientista misterioso cria uma estranha forma de vida, meio humana, meio animal. O monstro será enviado para alguém, no Natal, embrulhadinho, dentro de uma caixa, como um inocente presente". O filme na pratica não tem nada a ver com isso, na historia Kristen (Julie Austin) e amigas decidem formar uma seita ocultista "Anti-Natal", e vão para uma floresta fazer rituais e outras besteiradas, no meio da bagunça Kristen deixa cair uma gota de sangue no chão e acaba despertando uma criatura maligna ( que apesar do titulo é um único elvo mal feito). Conforme já foi dito, há apenas um único elfo na historia, fora isso o filme ainda tem ocultismo, nazistas, a pedra filosofal(!), e um bem intencionado Papai Noel, que estará disposto a salva todos dessa bangunça.

Na época do lançamento, Jeffrey Mandel chegou a dizer que elaborou uma continuação para Elves, mas que os rascunhos não foram bem aceitos. Assim, ele encerraria a triste carreira em 1998, com o erótico Turnaround. Além da curiosidade pelas produções obscuras dos anos 80, não há motivo para conferir Elves, pois o filme é um belo exemplar de filme de terror ruim. O filme foi lançado em VHS no Brasil, mais nunca em DVD.


16 - NATAL SANGRENTO (One Hell of a Christmas, 2002): Todos nós sabemos que o Natal reserva boas surpresas para quem se comportou bem durante o ano. Mas, o que acontece com aqueles que deixaram a desejar? Um presente amaldiçoado, transforma esta noite mágica em uma noite sangrenta e mortal. Um filme de terror que vai fazer você se comportar bem direitinho, para esperar seu presente na noite de Natal! Até a primeira hora, trata-se de um longa trivial, envolvendo bandidos, drogas, sequestros e vinganças. Depois que o mal desperta e passa a atormentar Carlitos (acreditem o nome do cara é esse), tem início momentos bizarros com monstros e demônios. Apesar do nome em português, que a distribuição nacional erroneamente deu, o filme não deve ser confundido com os filmes da serie "Natal Sangrento", iniciados em 1984.


17 -  THE BLACKOUT (The Blackout, 2009): No meio de uma festa para comemorar o natal, pessoas de um prédio descobrem que criaturas alienígenas estão matando todos que respiram. A única maneira de sobreviver é tentar sair do prédio e matar o maior número de monstros possívei durante o processo. O filme embora ate agrade, é uma mistura de "Gremlins" com uma 'versão' de "Banquete no Inferno". O blackout do nome é referente ao fato dos etzinhos apagarem as luzes do edificio, roendo toda a fiação eletrica.


18 -  THE CHILDREN ( The Children, 2008): A maioria das pessoas provavelmente concordaria que os melhores Natais eram aqueles da infância: animadamente esperando o Papai Noel chegar, rasgar os presentes e talvez até mesmo tomar um gole ou dois de vinho. Mas o espírito de Natal é completamente ignorado pelas crianças que correm em motim neste filme. Passada em uma remota casa de campo (o que nunca é bom quando você está tentando sobreviver à noite), a história conta como uma festa de Natal vira um pesadelo quando os filhos de duas famílias adoecem e se transformam em assassinos sedentos de sangue(!). Tem que ver para entender.


19 - ROTA DA MORTE ( Dead End, 2003): Véspera de Natal. Noite Feliz. Tudo corria bem para aquela família que viajava numa estrada quase deserta rumo a casa de um parente até que Frank, que está ao volante, avista uma sinistra mulher de branco, com um bebê no colo, parada no acostamento. O pesadelo está para começar. Aos poucos, os cinco passageiros daquele carro vão sendo envolvidos por uma série de sinistros acontecimentos. Como nos bons filmes de terror, um a um vai sendo eliminado. Mas não se sabe por quem. E por que aqui está acontecendo? Ganhador de festivais internacionais de filmes de terror, “Rota da Morte” lembra aqueles episódios do “Além da Imaginação“, embora um pouco arrastado e previsível para os atentos! Vale a pena! Apesar de que como alguns dos outros filmes dessa lista, o natal é apenas um desculpa para um feriado grande e genérico, e não tenha muito relação com a historia.


20 - SILENT NIGHT, ZOMBIE NIGHT (Silent Night, Zombie Night, 2009): O que combina mais com o natal do que uma epidemia de zumbis? Muitas coisas, como peru assado, festas em família e amigo secreto.

Não que isso tenha importado para os produtores de “Silent Night, Zombie Night”, que acharam que não havia momento melhor para realizar um holocausto de mortos vivos do que nas festas de fim de ano, com todos os clichês a que se tem direito. Uma semana antes do Natal, um vírus explode em Los Angeles e transforma grande parte da população da cidade em zumbis. Ao mesmo tempo, acompanhamos o drama pessoal de um policial, que pretende cortar laços com sua esposa e seu melhor amigo ao mesmo tempo. E adivinhem se ele não fica preso no distrito policial com os dois, cercados por zumbis? Pois é.

O filme foi produzido, escrito e dirigido por Sean Cain e apesar de seu baixíssimo orçamento (os efeitos de tiros parecem ter sido feitos no Microsoft Paint), “Silent Night, Zombie Night” tornou-se cultuado em festivais de terror pelos Estados Unidos (originalidade as vezes conquista mais que qualidade).


21 -  O DIA DA BESTA ( El Dia De La Bestia, 1995): Nós temos uma pergunta: o que você faz quando descobre que ninguém menos do que o Anti-Cristo está prestes a nascer no dia de Natal em Madrid, Espanha?

Bem, se você é este peculiar padre espanhol, você pede a ajuda de um devoto de heavy-metal. O motivo: para conjurar Satanás nada melhor que um cantor de heavy-matal pesado. Então, quando o Anti-Cristo saltar para fora do inferno, você fará o que for preciso para ter certeza de que ele não viverá por muito tempo. Essa é a premissa de "El dia de la Bestia", um filme diabolicamente festivo.


22 -  SATÃ ( Sheitan, 2006): O Filme conta a história de cinca jovens que, numa noite de natal, seguem para uma isolada casa de campo em Paris onde são recebidos pelos caseiros. Ali eles comem, bebem e se divertem, mas percebem tarde demais o jogo sádico do qual estão participando. A produção da mesma terra do também natalino e de terror 'A invasora' não é tão boa, porem, funciona como o tipico 'slash' de adolescentes sendo caçados e mortos um a um. No elenco está o casal Vicente Cassel e Mônica Belluci (ambos do filme "Irreversível").


23 - CONTOS DA CRIPTA (Tales of Cripta, 1989. Eps. 'And all through', diretor:  Robert Zemeckis): O único motivo desde filme não estar entre os 10 primeiros é por ser um curta, já que trata-se de um episodio da serie televisiva 'Contos da Cripta'.

No filme-episódio Mary Ellen Trainor interpreta uma esposa que mata o marido na vespera do natal para ficar com o dinheiro do seguro, ocorre que na noite de natal em si, um maníaco vestido de Papai Noel, foge de um hóspicio e vai bater na porta da casa da esposa assassina, que sem poder chamar a policia terá que enfrentar o maluco, e ainda proteger sua filhinha que estar no quarto de cima de casa, esperando o bom velhinho trazer seu presente.

Larry Drake faz um assassino grotesco e memorável, além de um monte de boas sacadas (a cena da garotinha conversando com o cadáver é genial!). O diretor Zemeckis consegue criar uma simpatia maior pela esposa assassina, ao apresentar o seu falecido marido como um completo babaca. A surpresa final permanece aterradora.


24 - Continuações de Natal Sangrento: Na verdade são 04 continuações com qualidade que variam muito (entre o muito ruim e uma merda completa), são eles:

Natal Sangrento 2 – Retorno Macabro (Silent Night, Deadly Night 2, 1987): Irmão do assassino do filme original quer vingança.

Natal Sangrento 3 (Silent Night, Deadly Night 3: Better Watch Out!, 1989): O assassino do filme original é ressucitado por cientista louco e tem os poderes igual ao do Freddy Kueger.

Natal Sangrento 4 – A Iniciação (Silent Night, Deadly Night 4 – Iniciation, 1990): Bruxas querem conjurar o demonio na noite de natal (sim, aqui a trama do assassino do filme original se perdeu de vez).

Natal Sangrento 5: Horror Na Loja de Brinquedos (Silent Night, Deadly Night 5: The Toy Maker, 1992):  Este filme eu preciso me aprofundar um pouco na sinopse para você leitor entender o nivel da produção: Dono de uma loja de brinquedos e seu filho criam brinquedos assassinos (que ninquem reclama ao PROCON americano). As coisas só saem do controle quando o jovem rapaz se apaixona por uma cliente que busca vingança pelos brinquedos assassinos da loja terem matado o seu marido (eu juro caro leitor, que a sinopse do filme realmente é essa).


25 - O ESTRANHO MUNDO DE JACK ( The Nightmare Before Christmas, 1993): OK, Não é um filme de terror, porem, como comecei toda essa lista, falando sobre as semelhanças (ou diferenças) do Halloween com o Natal, é obrigatorio falar deste filme, que é o mais 'halloweenico' dos filmes de natal ou o mais natalino dos filmes de Halloween.

Jack Skellington (dublado por Chris Sarandon) é um ser fantástico que vive na Cidade do Halloween, um local cercado por criaturas fantásticas. Lá todos passam o ano organizando o Halloween do ano seguinte mas, após mais um Halloween, Jack se mostra cansado de fazer aquilo todos os anos. Assim ele deixa os limites da Cidade do Halloween e vagueia pela floresta. Por acaso acha alguns portais, sendo que cada um leva até um tipo festividade. Jack acaba atravessando o portal do Natal, onde vê demonstrações do espírito natalino. Ao retornar para a Cidade do Halloween, sem ter compreendido o que viu, ele começa a convencer os cidadãos a sequestrarem o Papai Noel (Edward Ivory) e fazerem seu próprio Natal. Apesar de argumentos fortes de sua leal namorada Sally (Catherine O'Hara) contra o projeto, o Papai Noel é capturado. Mas os fatos mostrarão que Sally estava totalmente certa.

Ao contrário do que muitos pensam, o filme "O Estranho Mundo de Jack" não foi dirigido por Tim Burton, apesar de ter sido escrito e produzido pelo cineasta. Mas para quem pensa que isso fez com que o filme perdesse a 'cara' do famoso sr. Burton está muito enganado. A escuridão e a estética bizarra estão presentes em toda a história, não é a toa que o título em inglês inclui o nome do famoso cineasta. O filme é literalmente, uma viagem à mente de Tim Burton, cada pedaço de massinha dessa animação em stop motion parece ter sido feita pelo diretor. Ah, eu já disse que se trata de um musical?

Enfim, o filme é a grande obra-prima de Burton no campo da animação, tanto que mesmo tentando reproduzir o sucesso em outros filmes seus como "A noiva cadarver" o diretor nunca conseguiu atingir o mesmo nivel de excelência, sem duvidas esse é um filme recomendado para se ver tanto no Halloween como no Natal.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

JOHNNY MNEMONIC (1995, EUA).

Texto interessante de um filme desconhecido de Keanu Reeves, antes de MATRIX. O autor chama-se Felipe M. Guerra e eu tirei isso do Blog dele (mais estou colocando os creditos aqui):

http://filmesparadoidos.blogspot.com.br/


"QUE PORRA ESTÁ ACONTECENDO? Toda minha vida eu tive o cuidado de ficar no meu canto, sem complicações. Agora, de repente, sou o responsável por toda a porra do mundo, e todos estão tentando me matar... Isso se minha cabeça não explodir primeiro! Você vê aquela cidade lá no fundo? Era lá que eu deveria estar! Não aqui embaixo com cães, lixo e essas merdas de jornais do mês passado. Me enchi deles, me enchi de você, me enchi de tudo isso! Eu quero um serviço de quarto! Eu quero um 'club-sandwich'! Eu quero uma cerveja mexicana gelada! Eu quero uma prostituta de 10 mil dólares! Eu quero minhas camisas lavadas... como eles fazem... no Imperial Hotel... em Tóquio!"

Em 1995, quando realidade virtual e internet ainda eram pura ficção científica, um filme chamado JOHNNY MNEMONIC tentou faturar em cima da estética "cyberpunk" dos romances de William Gibson - um universo então conhecido apenas por nerds, e que somente "Matrix", quatro anos depois, conseguiria transformar em "cultura pop".

Talvez JOHNNY MNEMONIC seja um filme à frente do seu tempo. Afinal, esta bizarra e sombria aventura de ficção científica parece bem melhor hoje do que na época do seu lançamento, quando foi detonada pela crítica e boicotada pelo público, quase enterrando a promissora carreira de um jovem astro chamado... Keanu Reeves! Que, por este trabalho, foi indicado ao Framboesa de Ouro de Pior Ator, depois passou um tempão estrelando porqueiras como "O Observador", e, ironicamente, voltou ao estrelato justamente ao revisitar o tema "cyberpunk" na bem-sucedida série "Matrix".


Roteirizado pelo próprio William Gibson, a partir do seu conto homônimo, este filme "quase B" (custou 26 milhões de dólares) parte de uma idéia intrigante: no ano de 2021, piratear informação é tão comum que internet e satélites não são mais confiáveis; a única maneira segura de "transportar" informação é carregar o cérebro dos chamados agentes mnemônicos com os dados em gigabytes e então mandá-los até o seu destino, incógnitos.

Pode parecer idiota, considerando que o tal agente corre o risco de sofrer um acidente no percurso e adeus informações. Mas, sei lá, soa mais seguro que o correio comum numa sociedade à beira do colapso como a que é mostrada no filme - uma sociedade extremamente capitalista e dominada por megacorporações, no estilo daquelas das obras do holandês Paul Verhoeven.

Keanu interpreta Johnny, um destes agentes mnemônicos, cuja capacidade cerebral de informação é de 80 GB. Isso mesmo, igual a muitos IPods de hoje (e insira aqui mesmo a sua própria piadinha em relação ao tamanho do cérebro de Keanu Reeves!).

Claro que o mundo de 2021 não é dos melhores: fazer implantes cibernéticos no corpo é tão comum quanto cortar o cabelo ou trocar de cueca; por outro lado, uma doença chamada NAS é transmitida através das ondas eletromagnéticas e está matando a maior parte da população mundial. Que horror, não?


A ação começa quando o pobre Johnny aceita uma "última missão" (alerta de clichê!!!): carregar dados confidenciais de uma poderosa indústria farmacêutica, de Tóquio para Newark. Ele "compacta" seu HD cerebral para poder carregar 160 GB, mas a quantidade de informação que os caras enfiam na sua cabeça chega a 320 gigas!!! Claro que isso não é nada bom: se Johnny não conseguir fazer o download dos dados em 24 horas, seu crânio vai literalmente explodir!!! Problema número 2: a Yakuza, ligada à tal indústria farmacêutica, está atrás dos dados confidenciais carregados por Johnny. E a vida do mensageiro não importa: tudo que eles precisam é da sua cabeça, e o resto que se exploda!

JOHNNY MNEMONIC tem muitos problemas que explicam a fria recepção na época do seu lançamento. Keanu vinha do sucesso de "Velocidade Máxima", e ninguém esperava vê-lo no papel de um herói desagradável e nada simpático, numa história complicada e sem humor. Embora o roteiro tente "humanizar" o agente mnemônico vivido pelo astro (o rapaz perdeu todas as memórias da sua infância por carregar mais informações no cérebro do que seria recomendável), a verdade é que Johnny Mnemonic é um herói bem diferente do usual, egoísta, insensível e sem a menor vocação para salvar o mundo - tudo que ele quer é salvar a própria cabeça.

Outro grande problema é que tudo soa bizarro demais para o público em geral, embora seja um verdadeiro deleite para quem gosta de FILMES PARA DOIDOS. A ambientação "cyberpunk", por exemplo, atropela o espectador com uma quantidade absurda de informação que não fazia muito sentido lá atrás, em 1995.

Se hoje termos como download, cyberspace e internet já são comuns até para crianças de 6 anos, é bem possível que a maioria do público tenha ficado boiando na época de lançamento do filme. Mesmo hoje, algumas operações "cibernéticas" dos personagens e certos termos técnicos utilizados parecem grego até para quem tem um mínimo de conhecimento na área.

Completando o quesito "bizarria", este é um filme não só estrelado por um herói nada heróico (o discurso do início do texto é feito pelo personagem no clímax da trama, para dar uma idéia de sua preocupação com o futuro da humanidade), mas que também conta com um assassino que usa seu chicote laser para cortar metal, pescoços e pessoas ao meio; um médico viciado em fazer implantes cibernéticos baratos em seus amigos; um golfinho que teve o cérebro modificado pela Marinha para decodificar códigos inimigos e que vive num aquário, viciado em LSD (!!!), além, é claro, de um padre psicopata, vestido como Jesus Cristo, com esqueleto biônico e uma espada em forma de cruz!!!

Para completar, JOHNNY MNEMONIC traz um dos elencos mais "diferentes" já reunidos numa produção hollywoodiana: um astro como Keanu Reeves divide a tela com roqueiros (Ice-T e Henry Rollins), com o astro oriental Takeshi Kitano e mais Dina Meyer, Udo Kier, Barbara Sukowa e, acredite se quiser, Dolph Lundgren (!!!), provavelmente no papel mais esquisito da sua carreira como o tal padre biônico assassino! O pior é que Lundgren quase rouba o filme. Inacreditável!

Obviamente, uma mistura tão estranha só pode ser apreciada por públicos bem específicos. Também não ajuda o fato de o filme ser de uma escuridão digna de Tim Burton (toda a história se passa à noite), e de ser o primeiro (e até agora único) longa-metragem de um obscuro artista plástico chamado Robert Longo, que até então só havia dirigido videoclipes do REM e do New Order e um episódio (ruim) da série "Contos da Cripta".


Contando ainda com as tradicionais e multicoloridas cenas criadas por computação gráfica para representar as viagens dos personagens pelo cyberspace (estilo "O Passageiro do Futuro"), JOHNNY MNEMONIC é o tipo de filme que você nem sabe direito como avaliar, em que idéias muito boas são jogadas lado a lado com outras completamente imbecis, e cenas bem legais (incluindo bastante violência, de mãos e cabeças decepadas a flechadas no pescoço) são seguidas por momentos nada inspirados (cortesia do diretor de primeira viagem).

Entretanto, várias imagens e situações seriam vistas posteriormente em outros filmes, dos sobretudos escuros que viraram mania em "Matrix" às traquitanas tecnológicas que se tornaram presença obrigatória em todo e qualquer filme sobre hackers e computadores (alguns aparelhos ligados no cérebro também lembram "Matrix"). E tem até a imagem do casal se beijando enquanto edifícios queimam no horizonte (vista depois em "Clube da Luta").

Será que estamos diante de uma obra visionária? Bem, dá para apostar que tanto o filme quanto os seus realizadores teriam muito mais sorte caso JOHNNY MNEMONIC tivesse sido lançado hoje, e não 14 anos atrás. Mas este é o preço pago por todas as obras à frente do seu tempo, como "Blade Runner", que também foi um fracasso na época de seu lançamento (1982).

Claro que seria covardia (para não dizer loucura) comparar este debut de Robert Longo ao eterno cult movie de Ridley Scott, embora ambos tenham muito em comum, da "estética" futurista à presença de um astro hollywoodiano completamente perdido no seu papel. Mas quem sabe JOHNNY MNEMONIC não seja redescoberto nos anos vindouros?

PS 1: O tradutor brasileiro que teve a genial idéia de colocar no filme o subtítulo "O Cyborg do Futuro" merecia ele mesmo um implante cibernético... no rabo! Afinal, não há um único cyborg no filme, seja do futuro ou do passado.

PS 2: A versão japonesa do filme tem 107 minutos (11 a mais que a versão original). Estes minutos adicionais dão mais tempo em cena para o personagem de Takeshi Kitano. Como o ator era muito mais conhecido no Oriente do que no Ocidente lá no ano de 1995, foram gravadas mais cenas com ele especialmente para atrair o público oriental. Não deu outra: esta versão estendida é mais respeitada (e realmente bem melhor, incluindo nova trilha sonora) do que a "oficial".

sábado, 22 de setembro de 2012

GUINEA PIG: A SERIE.

Nota Pessoal: Para entender melhor a resenha do filme 'The Devil´s Experiment' ( ver aqui ) da série Guinea Pig, resolvi colocar aqui uma resenha explicando por alto o que foi (ou continua sendo) essa série.




A série Guinea Pig (cobaia, em inglês) ostenta, provavelmente, o primeiro posto entre os filmes de maior notoriedade no universo underground do horror extremo (ao todo são 06 filmes, produzidos em 1985, com duração media de 42 minutos). Durante anos, cópias raras e vagabundas circularam pelo mercado – sempre com péssima imagem – e ajudaram a transformar a série, registrada no formato vídeo e não película, em alvo de obsessão por parte dos aficcionados em cinema extremo e de vanguarda. Num certo sentido, a série pode ser considerada quase pornográfica. O enredo normalmente é mínimo e funciona, a um primeiro exame, apenas como pálida justificativa para uma profusão de cenas radicalíssimas transbordantes de violência e sadismo. O objetivo confesso é apanhar o espectador pelo estômago, bombardeando-o incessantemente com cenas de torturas, desmembramentos e eviscerações. O resultado é uma tremenda overdose sensorial que somente encontra paralelo nos filmes mais radicais de sexo explícito.

As histórias e as lendas que assombram a realização dos filmes são tão interessantes quanto eles próprios. No primeiro filme da série – The Devil’s Experiment – sequer se veiculam os créditos, com o escopo de alimentar a fantasia de que se trata de um snuff. Alguns incautos levaram a brincadeira a sério. Na Suécia, reza a lenda, o filme foi investigado pelas autoridades, que somente arquivaram o caso após o parecer de um legista atestando de que a coisa toda era montagem. Na Inglaterra, um colecionador de filmes de horror foi preso e processado, ao argumento – absurdo e fascista! – de que comercializava filmes imorais e criminosos. Nos Estados Unidos, o famoso ator de cinema Charlie Sheen, ao ver uma cópia esmaecida do filme, julgou tratar-se de cenas reais e levou o caso às autoridades. Após extensa investigação, conclui-se que tudo não passava de uma farsa. O episódio mais notório, entretanto, deu-se no próprio Japão. Um serial killer verdadeiro teria torturado e matado crianças sob a influência, segundo a polícia, de um filme da série. O caso ganhou repercussão nacional e os envolvidos com a produção dos filmes foram acusados de apologia à violência. A história acabou não dando em nada, ante a óbvia constatação, para aqueles que ainda têm bom senso, de que um psicopata não precisa assistir a um filme de horror para decidir matar alguém.

Diante dos desdobramentos, o diretor do filme, Hideshi Hino, viu-se compelido a revelar sua identidade, bem como a dos atores do filme, de sorte a provar que tudo não passava, evidentemente, de cinema. Mas a fama já havia sido ganha e a série tornou-se sinônimo de perversão. Depois da balbúrdia, os realizadores resolverem mudar a proposta e passaram a produzir filmes com altas doses de humor negro e enredos mais elaborados, o que resta evidenciado, respectivamente, no terceiro e quarto filmes da série: He Never Dies e Mermaid in a Manhole.

Mas são os dois primeiros filmes que realmente fizeram a fama maldita dos Guinea Pig. Flower of Flesh & Blood, especialmente, é aquele que melhor encarna o sombrio espírito original da série.
O filme inicia-se com uma subjetiva do assassino a procurar, aleatoriamente, uma vítima no metrô. Feita a escolha, passa a perseguir jovem mulher até que, num parque escuro, ataca-a com um lenço embebido em substância dopante. Em seguida, numa tomada muito bem feita, vemos a pobre mulher despertar, paulatinamente, para o horror que a aguarda. Ao som de lento e perturbador gotejar de água, a jovem dá-se conta, pouco a pouco, de que está amarrada a uma mesa, em algum porão sinistro. O barulho da água é então substituído pelo ruído áspero de uma faca a ser amolada. Já tomada pelo terror, a pobre vítima começa a debater-se freneticamente, enquanto permanece com os olhos vidrados na sorumbática figura de negro que, dando-lhe as costas, afia a lâmina na pedra. Um corte seco de câmera e a figura volta-lhe o rosto. Trata-se de um homem vestido de samurai. A face, inteiramente pintada de branco, confere-lhe o aspecto de um cadáver. Um esgar torce-lhe a boca, crivada de dentes enegrecidos. Enquanto a vítima, amordaçada, emite inúteis gritos surdos, o samurai apanha uma galinha e, exibindo-a à jovem, decepa a cabeça do bicho. Com a face cadavérica respingada de encarnado, o homem derrama o sangue fresco sobre a mulher. O anúncio solene então é feito: esse será, também, o seu destino. Novamente dopada, a jovem perde a consciência, para nunca mais recobrá-la.

Desse ponto em diante, com exceção de poucos trechos em que o samurai declama versos para a câmera, descortina-se longa seqüência, muito bem realizada e incrivelmente realista, de desmembramento e evisceração, que é finalizada com a decapitação, em slow motion (numa cena crudelíssima), da mulher. O filme termina com o samurai a adicionar as partes do corpo da vítima à sua bizarra coleção, em que já abundam pedaços de corpos humanos a simularem flores plantadas na terra. Típica e triste canção japonesa embala esse momento macabro, com a letra a lamentar a queda da alma às negruras inebriantes do inferno.

Para além da violência explícita, é possível colher, num exercício talvez ousado de exegese, ácida crítica a elementos da complexa cultura japonesa. O samurai é a epítome de uma sociedade orgulhosa e militarizada que não sabe lidar com o desejo sexual masculino nem com o papel da mulher na vida pública. Prisioneiro de antigas tradições, o samurai teme a modernidade (o que resta evidenciado pela escolha das vítimas no metrô) e, principalmente, teme a liberdade que a mulher, mais e mais, passa a conquistar na esfera pública. No filme, a relação do homem com o sexo oposto é de objetalização e de idealização patológicas, o que se expressa na tentativa de “transformar” a mulher em algo perfeito e controlável, mediante a sua “reestruturação” ontológica em um novo ser: uma flor, que será plantada e vicejará, assim se espera, expondo toda a sua beleza mais recôndita e visceral. A tentativa, evidentemente, fracassa, e o filme termina com a idílica beleza sendo devorada pelos mais abjetos vermes da putrefação. Negada a possibilidade do escapismo estético, resta ao samurai descer, tristemente, num arakiri metafórico, aos fundos e inescrutáveis abismos do inferno.

Com certeza, Flower of Flesh & Blood (o segundo e mais famoso episodio, cuja a imagem ilustra o começo da resenha) não é um filme para todos. Nem mesmo para os fãs regulares de horror. Mas a experiência vale a pena, se não assusta ao espectador a perspectiva de preencher a alma com o mais absoluto nada.

GUINEA PIG 1: Devil's Experiment. (1985, JAP)

Nota pessoal: 'Guinea Pig' é uma serie de 6 medias metragens (ate onde sei) cheios de sadismo, misogenia, fantasias estranhas e violencia extrema, que renderam muitas historia nos anos 80 e continuam gerando muitas polêmicas ate hoje, parte por causa das lendas que rondam os filmes, e parte por causa do conteudo dos mesmos. Eu sinceramente não vi por completo os outros eps. (e que são justamente os mais famosos), da serie, porem, achei o primeiro episodio, do qual fala o texto abaixo, provavelmente o mais 'pesado' e sadico da serie (ou não). O texto abaixo é de um outro blog, e foi o mais completo que achei, e o que melhor traduz o que é esse... "Filme".

Ver também Guinea Pig Serie

TEXTO de Lucas Sá: http://lucassville.blogspot.com. 
 
Subintitulado sugestivamente de, Devil's Experiment, este filme consegue provar o quão o cinema tem o poder de provocar e realçar sentimentos de repulsa (e porque não de admiração?) em nossos preciosos OLHOS.

Guinea Pig é um filme japonês lançado em 1985. Na verdade não posso nem concordar ou afirmar que Guinea Pig é um filme propriamente dito. Sua curta duração, 43 minutos, o enquadra nos chamados média-metragens, e sua filmagem é em vídeo digital, o que não o ajuda neste sentido. Mas posso afirmar com absoluta certeza que estes 43 minutos foram um dos mais massivos e angustiantes que já vi em uma tela. O filme (ou não-filme) é um show de gore e bizarrices do início ao fim, tudo é mostrado e escancarado ao espectadores sem nnenhum mínimo de pudor ou carência. Está proposta é que faz Guinea Pig entrar em inúmeras listas de filmes mais insanos do cinema. Todo este auvoroso sobre o filme, o tornou quase que um mito entre os amantes deste tipo de gênero, no caso "eu". Muitos acreditaram por anos que as imagens vistas no vídeo são reais, sendo chamado até de Snuff Movie, que nada mais é que uma sessão de tortura e assassinato de verdade na frente das câmeras. Claro que o filme não é bem isso, mas chega bem próximo! Os Snuffs Movie fazem parte de um subgênero do horror que pouco se tem informações, não existe nada concreto sobre essa feição alegórica do macabro, mas se sabe que existem diferenças entre um Snuff e um assassinato filmado. Nesse tipo de filme os atores sabem que vão morrer e estes mesmos se protificam a se sacrificar pela, digamos, arte?! Um filme que explorou bem esse universo utópico sobre os Snuffs foi o ótimo, Tesis, do também talentoso, Alejandro Amenábar (Mar Adentro e Os Outros). Enfim, para a tristeza de uns e felicidade de outros, Guinea Pig não se trata de um Snuff Movie, mas então o que seria ele afinal, já que nem uma sinopse concreta o filme pode ter? Não sei me expresar muito bem sobre isso, talvez seja experimental... só sei que não é nada divertido (para alguns).

A Pseudo-sinopse, uma mulher é sequestrada e submetida a várias torturas fisícas, é prova de que Guine Pig não é só um filme violento, mas de certa forma revolucionário. A filmagem é executada da forma mais crua possível, se assemelhando ao filme do post anterior, Redacted, além dá ausância de um roteiro fixo. Pode se dizer que o filme foi feito por idéias predeterminadas, no caso, raciocínios mínimos de torturas elaboradas, tanto para a personagem que não se indentifica em momento algum, quanto para o espectador. Não é só está mulher que sofre, há momentos em que a câmera se posiciona na visão da personagem modelo, fazendo com nos coloque na posição dela, e que posição!!! Exemplo disso, é a cena em que a amarram em uma cadeira e começam a girá-la ininterruptamente. A ausência de falas foi outro recurso obviamente utilizado para aumenta a veracidade das cenas, sem isso, provavelmente esse fajuto realismo se tornaria frágil, já que os atores nem de longe parecem profissionais. Outro fator que intensifica este teor vanguardista, é a não implementação de nenhum tipo de crédito ou colaboração ao longo da projeção. Não tem diretor, produtor, ator, roteirista, figurino, trilha... não se tem nada! Guinea Pig é um filme de ninguém, para ninguém, ou apenas para um seleto grupo... Os de estômago forte!

Depois de alguns anos do lançamento desta bizarrice é que foram descobrir os responsáveis por tal proeza. Na verdade, Guinea Pig não passou de uma experiência de um grupo de estudantes de cinema para testar novas formas de se fazer maquiagens e efeitos especiais, testes que lhes renderam muito dinheiro e que no momento já tem 8 partes da série! Quase um Sexta Feira 13 da vida! A rumores de que esses estudantes, inclusive o diretor, Satoru Ogura, foram presos até provarem que não mataram e espancaram a moça. Satoru Ogura, pra se safar desta tranqueira, mostrou a polícia o making off das filmagens. Algo bem semelhante ao que aconteceu com o também bizarro, Cannibal Holocaust. Este making off acabou gerando um documentário chamado, Meikingu obu Za ginipiggu (Making off Guinea Pig), onde o diretor revelou tudo sobre os efeitos, atores e a idéia original. Outra história que contam por ai, foi que o ator Charlie Sheen, o Charlie de Two and a Half Men, viu o filme e ficou extremamente pertubado, fazendo com denunciasse imediatamente Guinea Pig para a autoritária empresa de controle de censura norte-americana, a MPAA ( entidade que é massacrada no documentário, Este Filme Ainda Não Foi Classificado ). Sendo assim, o filme passou mais uma vez por constrangimentos. Agora o caso mais sério do que os dois já citados, envolvendo até FBI, foi quando quando encontraram uma das oito partes da série na casa do serial killer japonês, Tsutomu Miyazaki, que estrupou, matou e comeu quatro crianças do sexo feminino.

Tapas, vermes, óleo quente, tripas, apertões na pele com alicates. Tudo isso faz parte do universo criado por estes estudantes de cinema há 26 anos atrás. Guinea Pig é uma aula sobre o cinema independente e sobretudo de efeitos especiais, que em meio a tanto sangue e gritos ainda tem espaço até para uma metáfora visual. Em sua cena final um olho é atravessado por uma agulha, que sintetiza nada mais que nossa própria visão sem estrupada por imagens de puro terror.

domingo, 29 de janeiro de 2012

EVOCANDO ESPIRITOS (2009, EUA).




Depois de uma longa e interminável moda de fantasmas asiáticos, no cinema de terror norte-americano, o diretor Peter Cornwell, resolveu voltar às origens, lembrando clássicos yankes do gênero, como POLTERGEIST – O Fenômeno, e as primeiras variações de AMITYVILLE, entre ‘outros’ que o nome me foge.
       
Baseado em um dos “poucos” casos reais e confirmados de casa mal – assombrada nos EUA (já que foi feito em cima de um documentário real, e homônimo de 2002, pelo canal pago Discovery Chanel) o filme passa-se em 1987, e conta a historia de uma família, com o filho adolescente em estado grave de câncer, fazendo tratamento experimental, com drogas que podem causar alucinações, obviamente a casa tem uma historia (Ohh!) e a família começa a ser adormentada por espíritos, tudo no Estado de Connecticut. O diferencial do filme, é que ele foge (mas não para muito longe) da formula dos sustos fácies e dos gasparzinhos cabeludos, alem de que, seu roteiro, a cargo de Adam Simon e Tim Metcalfe, tenta ao menos mostra vários elementos didáticos que justificariam uma possessão na casa, (vide o já comentado Poltergeist), outro detalhe curioso é que os problemas pessoas da família (que na vida real chama-se Snedekers) são mostrados, de modo que o telespectador fique na duvida, no começo, se os eventos mostrados são reais ou meras alucinações do protagonista. Não é a invenção da roda, mais no atual mercado, tem cheiro de novidade.

Segundo Cartaz do Filme ( melhor que o oficial)


Outro cartaz do Filme.


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

POSSUÍDOS ( 2006, EUA).



Agnes White (Ashley Judd) é uma garçonete solitária, que escapou de seu ex-marido violento Jerry Gross (Harry Connick Jr.), recém-saído da prisão, e nunca superou direito o desaparecimento de seu filho. Ela vive em um hotel de beira de estrada e é apresentada por R.C. (Lynn Colins,), sua colega de trabalho, a Peter Evans (Michael Shannon), um veterano da Guerra do Golfo. Peter é obcecado por insetos e logo se relaciona com Agnes. Porém ela passa a viver um pesadelo claustrofóbico quando Peter começa a convencê-la de uma gigantesca conspiração envolvendo insetos (traças de plantas indetectáveis a olho nu para ser mais especifico), e que pode ate mesmo ter relação com o desaparecimento de seu filho.
            Já nos primeiros segundos de filme, a paranóia se estabelece, para a alegria e o alívio dos fãs de William Friedkin, o aclamado diretor do clássico “O EXORCISTA”, de 1973, que volta ao universo do “thriller” depois de 17 anos de jejum e sucessivos fracassos. Recebido com elogios e prêmios, "Bug" ( o nome original do filme) parece livrar Friedkin da maldição de seu mais famoso filme de terror, que teria perseguido o cineasta desde então. Sua última aventura pelo terror foi “A ÁRVORE DA MALDIÇÃO” ("The Guardian", no original), de 1990, massacrado pela crítica e rejeitado pelo público. Depois de estourar em Hollywood com "OPERAÇÃO FRANÇA( 1971), considerado uma obra-prima do gênero policial, e de aterrorizar o mundo com as imagens de Linda Blair possuída pelo demônio, o diretor errou a mão uma vez após a outra e acabou relegado ao time das ex-promessas do cinema mundial.
            Possuídos, alem de fazer o diretor voltar a “brilhar” no mercado internacional, é o melhor exemplo de ‘ame-ou-odeie’, que se pode imaginar em um filme. Ganhador de prêmios, fracasso de bilheteria, afinal, o filme é inteligente demais para ser compreendido, ou ruim demais para ser levado a serio? A única verdade é que o seu final desagrada ate mesmo quem gostou do filme como um todo.


Outra capa do filme.

Terceiro cartaz alternativo, todos melhores que o oficial que ficou nos cinemas brasileiros.

Dica: sequencia final do filme. Tem assistir, pra entender, e gostar ou odiar.

PREDADORES ( 2010, EUA).



 



Este novo filme do universo dos Predadores, com produção de Robert Rodriguez, e direção de Nimrod Antal(?), é estrelado por Adrien Brody (sim ele mesmo, o grande ator do drama O pianista’) e Alice Braga (sim a atriz brasileira que estreou para o mundo em ‘Cidade Baixa’, é a protagonista feminina do filme). Na historia, ‘Royce’ (Adrien), é um mercenário que relutantemente, lidera um grupo de combatentes de elite e descobre que eles foram levados para um planeta alienígena para servirem como presas, em um safári intergaláctico. À exceção de um médico que caiu em descrédito, todos são assassinos a sangue frio: mercenários, mafiosos da Yakuza, presidiários, membros de esquadrões da morte, ou seja, "predadores" humanos que agora serão sistematicamente caçados e eliminados por uma nova raça de Predadores alienígenas. Embora o nome indica-se um reebot (nova versão, como se a primeira não existisse) ou um remake (refilmagem com algumas modificações) o que se ver é uma continuação dos filmes PREDATOR (1987) e PREDADOR 2 (1990), tanto que é claramente perceptível a atmosfera e cenário referente ao filme de 1987, ou seja, uma floresta tropical onde as caçadas alienígenas acontecem, ainda temos o fato da personagem de Alice Braga, fazer referências diretas a historia de ‘um soldado que alegava ter enfrentado e matado criatura semelhante nos anos 80’, referindo-se obviamente a ‘Dutch’ (Arnold Schwarzenegger), e, é justamente essa boa dose nostalgia, que salva em grande parte o absurdo e forçado roteiro do filme, já que as cenas de ação apesar de muito boas, são escassas, ou no mínimo rápidas demais.

Os personagens, com exceção da militar israelense da atriz brasileira Alice Braga, e do médico do grupo (interpretado pelo ator Topher Grace) são extremamente estereotipados e forçados, como um sobrevivente ‘veterano nos safáris aliens’ ( Laurence Fishburne) que estar visivelmente acima do peso, e só aparece para ‘explicar’ todos os detalhes dos predadores, e seu padrão de caça. Royce - que dado a suas habilidades e sua personalidade, lembra ou no minimo é inspirado em Chev Chelios, o personagem vivido por Jason Statham, na franquia “Adrenalina” - é totalmente alheio ao fato de estar em outro planeta (já que em certo momento demonstra querer voltar para casa... ANDANDO), e ainda resolve CAÇAR e matar todos os predadores do planeta, deixando assim no chinelo os personagens mais machos da carreira de Chuck Norris, resumindo, você consegue imaginar o ator Jason Statham ganhando o Oscar graças a um forte, pesado e dramático papel de pianista judeu, vitima do nazismo???  Pois bem, alguém achou que o contrario funcionaria...

Há também um personagem asiático que (lógico) ao invés de armas de fogo, prefere usar uma espada japonesa contra aliens com armas lasers, e 3 metros de altura. E claro, o ator Danny Trejo, eternamente interpretando um matador mexicano, como não poderia deixar de ser, em um filme com o dedo de Robert Rodrigues (tenho minhas duvidas se o ator não aparece interpretando o ‘MACHETE’ em SIN CITY, unicamente por exigência de Frank Miller).

Há outras raças alienígenas menores sendo caçadas ou ajudando na caça, e uma diferenciação de clã ou raça dos alienígenas predadores, isso apesar de criar um monstro mais assustador e forte, gera algumas conclusões que evidenciam as baboseiras do roteiro, como sugerir que toda a caçada era um tipo de olimpíada ou competição entre clãs de Predadores, e que o tipo de predadores que veio a Terra em TODOS os outros filmes dos monstros era do clã mais franzido, ou do tipo mais fraquinho da raça.

Conclusão se você quiser ver um excelente ator dramático, fazer um estereotipado super-soldado de filmes de ação, uma brasileira protagonista de um grande arrasta-quarteirão norte-americano, Laurence Fishburne numa ponta fraquíssima, e uma trama forçada ‘querendo inventar moda’, esse filme é a pedida certa para você, conduto, se você realmente quiser ver um bom filme com os caçadores alienígenas camuflados mais queridos do cinema, vá assistir o original.

Essa é a Raça mais forte de Predador.

Essa cena só existe no Trailer ( é isso mesmo).

Adrian e Alice, bons atores no filme errado.