sábado, 24 de setembro de 2011

Deixe-me Entrar (2010, EUA).

 

 
Nesta refilmagem o garoto de 12 anos Owen (Kody Smit McPhee) é solitário, seus pais são divorciados, ele não tem amigos, e ainda sofre com os meninos da escola que vivem brigando com ele. Quando uma menina de 12 anos chamada Abby (Chloe Moretz) se muda para seu prédio, Owen passa a acreditar que ela possa ser sua amiga, mas há um alto preço a ser pago pela amizade de Abby, já que ela não é uma menina comum.

Dado o grau de elogios, e criticas positivas que o filme original pode ( e conseguiu) arrecadar, tentarei ser o mais sucinto possível. “Deixa Ela Entrar ( Suécia, 2008)” é uma produção maravilhosa, que trata do vampirismo de uma forma poética, romântica e ingênua, fazendo uso do mito de uma criatura feroz e imortal como metáfora da inocência, das descobertas do corpo, do início dos relacionamentos dos pequenos, quando estes passam da fase das brincadeiras infantis para o encontro com o sexo oposto. Ainda assim, conseguiu mesclar toda essa poesia e linguagem sutil com um horror absoluto, cru e quase visceral. Na trama, o jovem introvertido Oskar (Kåre Hedebrant) sofre de bullyng na escola onde estuda, enquanto cultiva uma paixão prematura com a bela Eli (Lina Leandersson), uma estranha vizinha com hábitos noturnos que chegou para mudar sua vida por completo. Há algumas referências ao homossexualismo e a pedofilia, seja na figura da “menina sem sexo” ou na do guardião de Eli, mostrando que uma obra clássica é aquela que possui várias leituras.

Sobre as refilmagens americanas atuais de filmes de terror, bem, lembro que postei um parágrafo introdutório em uma resenha de SEXTA-FEIRA 13(2010) que em linhas gerais dizia que, as refilmagens geralmente seguem três linhas, ou pensamentos, no primeiro o diretor-roteirista pega apenas o argumento do filme original, e cria uma versão autoral, ou nova, no segundo caso ele mesclar o melhor do original, com novas idéias ou atualizações, e no terceiro caso ele faz uma refilmagem quadro-a-quadro modificando apenas alguns detalhes, e é justamente essa terceira linha que o filme em analise segue na maior parte do tempo, o problema é que os ‘detalhes’ simplificam e modificam justamente os protagonistas. Isso, para o escritor desta resenha é um problema, pois temos um bom filme, simplesmente porque o original é ótimo, e não necessariamente por mérito dos realizadores da refilmagem.
 
O diretor Matt Reeves, que possui o original e excelente “CLOVERFIELD - MONSTRO”, em seu currículo, aparece aqui seguindo o mesmo roteiro da versão sueca, mas com um foco diferente, enfatizando o envolvimento dos personagens, e focando na paixão infantil e pura dos dois protagonistas.
            Sem duvidas, como era esperado, Chloe Moretz demonstra todo o seu talento em um filme cuja personagem central parece ter sido feita sob medida para ela, matura, com rosto de criança, e seu talento habitual, a pequena atriz torna a personagem carismática e interessante, alem de conseguir criar uma ótima química com Kodi Smit-McPhee, apesar dos efeitos especiais em CG quase destruírem todo o seu bom trabalho.

O ponto negativo do filme é como já disse os detalhes, que tiram todo suspense psicológico que o filme original tinha, e tornam a garota que no sueco é um ‘monstro’ sutil, com aparência de criança, em um monstro literal, com aparência de monstro e irritantes grunhidos de bicho. Isso para não comentar da humanização excessiva de Owen, pois no original vemos que o garoto possui certas tendências psicóticas, ou homicidas. O guardião de Abby também é modificado, no original sua origem e suas motivações são totalmente especulativas, já aqui, uma foto revela o seu mistério, por fim, tem a cena final na piscina, que no original é bem mais chocante por acontecer num cenário claro, e não no escuro como nesta refilmagem, isso tudo para não comentar da sexualidade da protagonista, pois, se no original, ela já era abordada de forma altamente sutil, neste filme sequer é abordado tal tema. As demais diferenças são detalhes inexpressivos que em nada modificam a historia.
  
A conclusão é que apesar do ‘foco diferente’, o filme é raso, com efeitos especiais medianos (para o padrão americano), e se não fosse a já comentada química entre os atores mirins, não passaria de apenas uma ‘versão’ inocente e simplista de um ótimo filme em outro idioma.
 
 






quinta-feira, 15 de setembro de 2011

TERROR MENSAL: AGOSTO.

BOM, o mês de agosto não tem lá muitas datas comemoraveis em filmes de terror, mesmo assim, devido o atraso, e a absoluta falta do que fazer, para não passar me branco escolhir 3 datas DIA DOS PAIS (10), DIA MUNDIAL DA FOTOGRAFIA (19), e DIA DO CORRETOR DE IMOVEIS (27). Para serem 'homenageadas' nos seguintes filmes: "O Padrasto"; "Retratos de Uma Obsessão", "Espiritos" e " A casa do Terror TRACT".


FILME: O PADASTRO.
ANO:2009.
PAÍS: EUA.
DIRETOR: JOSEPH RUBEN.




Michael Harding (Penn Badgley) retorna para casa da escola militar para encontrar sua mãe, Susan (Sela Ward), feliz e apaixonada por um homem conhecido como David Harris (Dylan Walsh). Ele parece ser o pai perfeito, e bom marido para todos, mas Michael, suspeita que ele não é o homem que parece ser. Junto com sua namorada, Kelly (Amber Heard), seu pai Jay (Jon Tenney) e amigas de Susan (Paige Turco e Sherry Stringfield), eles começam lentamente a juntar as peças do mistério, do homem que está prestes a se tornar seu padrasto, mas pode ser tarde demais para a verdade chegar.

Refilmagem de um filme homônimo de 1987, e que gerou umas duas continuações ate 1992 (sendo que eu não vi nenhuma...), a verdade é que, conforme disse um famoso comediante uma vez:


"Dia das Mães é uma data comemorada e disputada por restaurantes e lojas com uma rivalidade e selvageria comercial semelhantes ao natal, porem, No Dia dos pais, você terá sorte de receber algum presente maior que uma gravata de seus filhos"


Logo esse filme sobre um 'padrasto' foi o mais proximo que conseguir arrumar para o dia dos pais. No filme, o pano de fundo é a historia real do serial-killer norte-americano João List Emil, que, em 1971, matou sua família inteira, em seguida, fugiu e assumiu uma nova vida e uma nova identidade, e ate onde eu sei não foi capturado. O longa metragem é recomendavel como suspense leve, ao estilo "Paranoia" sem muita violência, com uma trama que apesar de TODO MUNDO saber o climax (o cara é um assassino serial, e o filho protagonista consegue provar isso), se arrasta por quase 2 horas, desenvolvidos lentamente, personagens sem muito o que explorar.




RETRATO DE UMA OBSESSÃO.
ANO: 2002.
PAÍS: EUA.
DIRETOR: MARK ROMANEK.




Em comemoração ao 'Dia Mundial da Fotografia', escolhi este que é sem duvidas um dos melhores filmes 'inter-generos' sobre o tema fotografia, e sem duvidas o melhor papel da carreira de Robin Willians fora das comedias e filmes melosos.

Até onde você deixaria o seu padeiro entrar na sua vida? Você se sente mal pela solidão dos outros? São perguntas assim – ou pelo menos parecidas – que fazem a base de Retratos de Uma Obsessão.

Na historia, Robin é a figura principal do filme. Ele interpreta um personagem de nome Seymour Parrish, ou simplesmente Sy, como prefere ser chamado. É uma figura melancólica, sozinha, não possui família e tampouco amigos. Trabalha em um laboratório de revelação de fotos instantâneas há muitos anos, (sendo inculsive o narrador da historia para o publico, artificio que, ao longo da projeção só torna mais dificil enxergar no personagem o grande vilão do filme). É perfeccionista e muito bom no seu trabalho. Segundo ele, o laboratório em que trabalha processa as fotos mais perfeitas do estado. Ele tem um desejo secreto, seu maior fetiche, de fazer parte de uma família, para a qual vem revelando fotos durante mais de 20 anos, e se imagina sendo o “tio Sy” daquela família.

O filme logo nos mostra que esse é um sonho utópico, pois fica evidente que a obsessão de Sy é meramente platônica, e a família Yorkin não vê nele nada mais do que 'o cara do shoping que revela as fotos', as coisas começam a sair do controle quando uma mera fotografia começa a mexer com a ilusão de Sy de familia perfeita, isso e uma demissão, tiram Sy do conformismo de sua solidão e lhe dão um objetivo pelo que lutar, mesmo que seja da forma e pelo motivo errado.

Embora seja vendido como thriler de suspense, uma segunda leitura deste filme pode muito bem encaixa-lo como DRAMA PSICOLOGICO, recomendado ate para quem não gosta de filmes de suspense e terror, assim como para qualquer um que queira ver Robin Willians no mais diferente papel de sua carreira.


FILME: ESPIRITOS - A MORTE ESTAR AO SEU LADO.
ANO:2004.
PAÍS: TAILÂNDIA.
DIRETORES: BANJONG PISANTHANAKUN/PARKPOOM WONGPOOM.




O jovem fotógrafo Thun (Ananda Everingham) e sua namorada Jane (Natthaweeranuch Thongmee) descobrem misteriosas sombras em suas fotografias, tiradas do local de um acidente. Enquanto investigam o fenômeno, descobrem que os retratos contêm imagens sobrenaturais, assim como outras.

Eleito (por mim pelo menos rrssss...) um dos maiores e mais importantes filmes de terror dos últimos 10, o filme é um otimo thriler de terror e suspense, apesar do tema não ser original, a forma como foi abordado e seu desenvolvimento o fizeram ganhar fama internacional, mesmo o sendo o seu país de origem totalmente desconhecido (do ponto de vista cinematografico). Para mais detalhes ver aqui no blog mesmo, informações sobre o filme na lista dos " Maiores filmes da Década".



FILME: A CASA DE TERROR TRACT.
ANO: 2000.
PAÍS: EUA.
DIRETORES:CLINT HUTCHISON e LANCE W. DREESEN.





Outro filme que já foi objeto de analise neste blog, na lista de melhores da década. Trata-se de uma antologia (filme dividido em mais de uma historia que geralmente tem relação com uma historia central do narrador) de terror, onde um CORRETOR DE IMOVEIS (lembram dia 27\07 - Dia do Corretor de Imoveis) tem que vender uma casa, em um peculiar conjunto habitacional, sendo que a venda tem que ser feita ate o final do dia, devido a uma politica de "estimulo de vendas", bastante 'diferente' que só é revelada no final. O problema é que para isso, deve o vendedor contar aos interessados, a historia do antigo dono da casa, historias essas que sempre trazem alguma fatalidade.

Recomendado pela originalidade, e por ser uma das últimas boas e saudasistas antologias de filmes de terror (com clima de anos 80 e 90), a serem feitas depois de 1999, junto com ARMADILHAS DE TERROR (2006) E CONTOS DOS DIAS DAS BRUXAS(2008).

TERROR MENSAL: JULHO

Continuando COM UM PU** ATRASO a serie de "filmes de terror em datas comemorativas". Temos uma data que apesar de não ser comemorada no Brasil (Independência dos EUA). O 04\07 é uma data importantissíma nos EUA, e coincidentimente, fonte de inspiração para alguns filmes de terror. Em especial a trilogia de slasher movies abaixo.


P.S: O mais desadento leitor do blog, pode perceber que *11 a cada 9 filmes de terror* ( já que muitos geram sequencias e refilmagens, que mais parecem o mesmo filme) com datas comemorativas, estão no sub-gênero slasher, talvez o motivo seja que, este é um dos pouquissimos gêneros de filmes que entra ano e sai ano... Decada pós decada... Tem sei público alvo garantido.



FILME: EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NO VERÃO PASSADO.
ANO: 1997.
DIREÇÃO: JIM GILLESPIE.
PAÍS: EUA.



No feriado de 04 de Julho de 1997 um grupo de adolescentes atropela um homem na estrada, que parece um pescador, com medo das conseguencias decidem jogar o corpo do infeliz no mar e fazem um juramento de nunca mais falar sobre o ocorrido. Um ano depois, para "surpresa" de todos, os 04 jovens envolvidos no acidente começam a receber bilhetes anonimos com os dizeres "Eu sei o que vocês fizeram no verão passado", os quais chegam com a mesma frequencia em que um assassino misterioso começa a matar os jovens, vestindo uma capa de chuva e usando um gancho na mão direita, seria o suposto pescador em busca de vingança(1).

Tipico Slasher-Movie dos anos 90, fez muito sucesso na época, tanto que só não foi o melhor de seu tempo por causa do filme PÂNICO, que veio UM ano antes. Rendeu duas continuações, porem, vale realmente a pena pela preseça de Sarah Micheler Park que em 1998 tinha uma otima careirra, e era a querindiha dos adolescentes americanos, ao ponto de ofuscar a protagonista do filme.




EU AINDA SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NO VERÃO PASSADO.
ANO: 1998.
PAÍS: EUA.
DIRETOR: DANNY CANNON.




UM ano (sempre é um ano) depois dos acontecimentos do primeiro filme a protagonista esta começando a superar o ocorrido, e sua vida parece realmente esta voltado ao normal, quando ela ganha de 'alguem' uma viagem de ferias junto com alguns amigos, para uma ilha nas Bahamas, com tudo pago, apenas por acerta uma perguntinha de geográfia. O que era para ser uma viagem de ferias acaba se tornando um pesadelo quando uma chuva torrencial e um louco assassino estragam com a vigem.

Filme com um nome destes já não poderia ser mesmo levado muito a serio, recomendavel para os brasileiros metidos a anti-americanos e aos professores de geografia, já que o motivo de todos as mortes e o fato de a protagonista assim como quase todo norte-americano medio, achar que o Rio de Janeiro é a capital do Brasi. Conduto o maior destaque do filme sem duvidas é a participação de JACK BLACK, sim caro(a) leitor(a) VOCÊ LEU CERTO É ELE MESMO, como o maconheiro 'Tolesco', aquele tipico personagem semi-figurante que só serve para aumentar a contagem de corpos ao longo do filme. Enfim, acho que é a única vez em sua carreira de comediante que o gordinho rockeiro participou de um filme de terror.



EU SEMPRE VOU SABER O QUE VOCÊS FIZERAM NO VERÃO PASSADO.
ANO: 2006.
PAÍS: EUA.
DIRETOR: SYLVAIN WHITE.




Sem ligação nenhuma com os outros filmes, nem com os atores, a não ser por um cara com um gancho e uma capa de chuva tocando o terror em adolescentes, na historia, 04 amigos tiram uma brincadeira sem graça com um amigo, ele morre e no ano seguinte aparecem bilhetinhos, seguindos de mortes.

Sem mais comentarios, só entra aqui para 'provar' que eu vi os três filmes, tão dispensavel que apesar de ser o mais recente dos três, é o que menos me lembro.

domingo, 26 de junho de 2011

TERROR MENSAL: MÊS DE JUNHO.

Comemorar qualquer data festiva nos Estados Unidos é um hábito arriscado: você pode ser impiedosamente esquartejado por um assassino psicopata mascarado, que considera aquele o "seu dia", elegendo a data para atacar e fazer suas vítimas. Se for no Dia das Bruxas, é o Michael Myers, da série HALLOWEEN. Se for numa sexta-feira 13, quem ataca é o Jason Voorhees, da interminável franquia do mesmo nome. Mas há outros psicopatas menos ilustres para as diversas datas: 1º de abril (em A NOITE DAS BRINCADEIRAS MORTAIS), Natal (a franquia NATAL SANGRENTO), réveillon (em RÉVEILLON MALDITO), Páscoa (em PRAIA DO PESADELO, de Umberto Lenzi), e até o Dia das Mães, além de outras datas menos célebres.

Por aqui vão umas dicas de filmes do DIA DOS NAMORADOS:



DIA DOS NAMORADOS MACABROS (My Bloody Valentine).
ANO: 1981.
PAÍS: CANADÁ.





Este filme também tenta uma variação na arma utilizada por seu assassino. Em cada filme, do genero 'slashes' os psicopatas costumam ter seu brinquedinho preferido, como faca de cozinha, facão, serra elétrica, furadeira (na série SLUMBER PARTY MASSACRE) e até arma de pregos! Aqui, Harry Warden usa uma pontiaguda picareta, que serve para furar e eviscerar as vítimas.
O filme começa com dois mineiros explorando os escuros túneis de uma mina, cobertos da cabeça aos pés. Então, um deles começa a tirar a roupa... É uma mulher! Pinta aquele clima, a garota fica só de sutiã (tem uma tatuagem de coração num dos seios), tenta tirar a máscara do companheiro, mas ele se recusa. E quando ela baixa a guarda, o outro minerador a atravessa com a picareta pelas costas, fazendo a ponta sair bem no meio da tatuagem, na frente! Um superclose na boca da vítima gritando e entra o título MY BLOODY VALENTINE.
Nos Estados Unidos, e no Canadá, o Valentine´s Day é comemorado no Dia de São Valentim, que é 14 de fevereiro (e não em 12 de junho como acontece no Brasil; aqui, o Dia dos Namorados foi "importado" nos anos 40 e encaixado em junho, porque era um mês fraco de vendas para o comércio). No filme, dia 14 cai num sábado, justamente para fazer citação a uma "sexta-feira 13" (o filme original da série foi lançado em 1980, com grande sucesso). Na verdade, a contagem de dias não faz a menor diferença.
O resto, é o de sempre, lendas, adolescentes curiosos, com hormonios a mil por hora, uma vingança, e a revelação da indentidade do assassino. Apesar de não chegar aos pés de seus irmãos do mesmo ano como Sexta-Feira 13 parte 2, vale a pena conferir.




DIA DOS NAMORADOS MACABROS 3D (My Bloody Valentine 3D).
ANO: 2009.
PAÍS: EUA.




Sim, é uma refilmagem descarada, e não, não é a mesma coisa, porem as diferenças são circunstancias, no 'grosso' a historia é a mesma, vingança, uma mina numa cidade pequena, lenda de um mineirador que ficou maluco, adolescentes, sexo, e a 'surpreendente' revelação da identidade do assassino. Vale a pena apenas para quem tem aversão pelo visual dos filmes dos anos oitentistas, e prefere ver atores 'mais bonitos' e sague em carne em CGI ao invés de latex e tinta vermelha.




DIA DO TERROR (Valentine).
ANO: 2001.
PAÍS: EUA.




Cinco amigas que freqüentavam a mesma escola começam a receber cartões e presentes do dia dos namorados. Só que, em vez de juras de amor, com ameaças de morte. O principal suspeito é um garoto que elas maltratavam no colegial, mas ele mudou de identidade e pode estar irreconhecível. Ele pode ser qualquer um e pode estar por perto. À medida que o dia dos namorados se aproxima, a tensão aumenta.
Ao contrario do que se pensa, este filme em nada tem haver com os outros dois, o assassino usa uma mascara de querubim(!), e um arco e flexa(!!), roteiro cheio de furos, e mortes bem sem graça, quem quiser ver fica por conta e risco.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

TERROR MENSAL: MÊS DE ABRIL.

Comemorar qualquer data festiva nos Estados Unidos é um hábito arriscado: você pode ser impiedosamente esquartejado por um assassino psicopata mascarado, que considera aquele o "seu dia", elegendo a data para atacar e fazer suas vítimas. Se for no Dia das Bruxas, é o Michael Myers, da série HALLOWEEN. Se for numa sexta-feira 13, quem ataca é o Jason Voorhees, da interminável franquia do mesmo nome. Mas há outros psicopatas menos ilustres para as diversas datas: 1º de abril (em A NOITE DAS BRINCADEIRAS MORTAIS), Natal (a franquia NATAL SANGRENTO), réveillon (em RÉVEILLON MALDITO), Páscoa (em PRAIA DO PESADELO, de Umberto Lenzi), e até o Dia das Mães, além de outras datas menos célebres.

Por isso, a partir de Abril, este blog irá fazer uma listinhas de filmes referêntes a alguma data comemorativa do mês.

A NOITE DAS BRINCADEIRAS MORTAIS (April Fool´s Day, 1986, EUA)
Direção: Fred Walton.
Com: Deborah Foreman, Griffin O´Neal, Clayton Rohner e Thomas F. Wilson.




O mané que traduziu o título para o Brasil achou que DIA DA MENTIRA ou 1º DE ABRIL não era um bom nome para o filme e mandou a bobagem sobre BRINCADEIRAS MORTAIS. É no Dia da Mentira que uma garota rica convida um grupo de amigos para passar um final de semana numa ilha, onde seus pais têm um casarão. No local, todos viram alvos de um assassino misterioso, que os mata um a um. Trata-se de uma das boas cópias de HALLOWEEN, com personagens carismáticos, mortes criativas e suspense, sem apelar para a história do "assassino imortal". Lembrem que nós EUA, o 1º de abril é mais que o Dia da Mentira, também é um dia para pregar peças e brincadeiras sem-graças ( dai o nome abrasileirado), por isso é bom não se surpreender com o final. hehehehehe. O filme ganhou uma refilmagem direta em 2009 com o mesmo nome, as diferenças são pequenas, e a historia central e praticamente a mesma.




(Capa da Refilmagem)










A PRAIA DO PESADELO (Nightmare Beach, 1988, EUA.
Direção: Harry Kirkkpatrick (Umberto Lenzi).
Com: Muita gente desconhecida.


Infelizmente foi a única imagem que achei:




Não sei se é por respeito, ou pela minha criação cristã, mais filmes de terror em feriados catolicos mais fortes, ou trasicionais, como pascoa e natal só colam se ligados ao aspecto totalmente comercial, e Pagão destas festividades, ou simplesmente não façam a menor alusão ao homem que nasceu e morreu nestas datas ( em teoria), o que é, exatamente o caso desde filme especifico.

Totalmente desconhecido (tanto que eu só vi na net SEM LEGENDAS). Do diretor italiano Umberto Lenzi (mais conhecido por CANNIBAL FEROX) ele dirigiu esta pérola nos Estados Unidos e até assinou com pseudônimo, talvez por vergonha da bomba que ficou. Pelo que da pra entender, a historia toda começa mostrando a execução do líder de uma gangue de motoqueiros, numa praia americana, na véspera de Páscoa. Mas um motoqueiro de roupa preta ataca no feriado, matando adolescentes bobalhões, sempre com fogo. Apesar de tudo o filme é o único a ter uma relação com a Páscoa mais gratuita, se que não é o único.


A NOITE DOS COELHOS ( Night of the Lupus, 1972, EUA)
Direção: William F. Claxton.
Com: Roy Bennett, Gerry Bennett, entre outros.




Na historia, Coelhos gigantescos, criados em laboratório por engano, atacam comunidade do interior dos Estados Unidos. O filme é mais conhecido no Brasil somente por causa de sua prevÊ citação no seriado " Todo Mundo Odeia o Chris", exibido na record, onde o personagem ficticio JULIOS ROCK, pai do comediante e ator CHRIS ROCK morre de medo do filme. Não tem nada a ver com a pascoa, propiamente dita, exceto pelos coelhos gigantes assassinos. Monstros que inclusive, além da já citada serie de comédia, aparecem também,em outros filmes e quadrinhos. Como na Animação infantil de " Wallace & Gromit - A Batalha dos Vegetais" de 2005 e no mangá ( quadrinho japonês) do ONE PIECE.


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Os Melhores da 1° Década do Seculo 21.

Com o Fim de 2009, já seria possível, finalmente, analisar como foi a última década para o cinema de terror e suspense, contudo, para ser do contra resolvir esperar o final de 2010, para dar uma visão mais abrangente, afinal os filmes de terror e suspense são provavelmente os filmes de gênero mais amados. É o meu, sem dúvidas. Pois, se o medo tem uma variável infinita, no cinema de terror e suspense, versa sobre os racionais e os irracionais, e quase sempre é um dos lados do cinema que melhor sintetiza sua época (vide Romero e seus Zumbis que já atravessaram 40 anos de criticas politicas e socias). A grande maioria dos bons filmes de terror e suspense dessa década - grandiosamente cética - não poderia ser muito diferente do que a lista abaixo vai demonstrar. Assim temos a fixação pela realidade tomando vários filmes com a câmera em primeira pessoa; uma grande nostalgia ( ou falta de criatividade) que fez os anos 2000´s esparramando em refilmagens, sendo um revival dos anos 80, todo novo, um dos melhores exemplares e dessas refilmagens, e por fim o cinema oriental inflou o gênero por todo o mundo, tornando paises e diretores desconhecidos fora de seus paises em 'gênios cults'. Por isso aqui vai a lista dos melhores da 1º década do seculo 21.

Por ordem de ano de lançamento:



A CASA DO TERROR TRACT (TERROR TRACT)
Dir: Lance W. Dreesen e Clint Hutchison
2000 - EUA.



#Outros no ano:
Premonição(EUA);
Eclipse Mortal(EUA);
Battle Royale (JAP);
O Homem sem Sombra(EUA);
Psicopata Americano(EUA).



PERSEGUIÇÃO (JOY RIDE)
Dir: Jonh Dahl
2001 - EUA.


#Outros no ano:
Os Outros(EUA);
Ichi - O assassino (JAP);
O Buraco(EUA);
Hannibal(EUA);
13 Fantasmas.



ERTERMÍNIO (28 DAYS LATER)
dir.: Danny Boyle
2002 – Reino Unido.


#Outros no ano:
O Pacto/Suicide Club( JAP);
The Eye (CHI);
O Chamado(EUA);
A 7ª Vitima(EUA);
Carrie a Estranha(EUA);
Sypathy for Mr.Vengeance/Mr. Vingança(KORS).



*OLDBOY (OLDBOY)
Dir: Park-chan-wook
2003 – Korea do Sul


#Outros no ano:
Olhos Famintos 2(EUA);
O Massacre da Serra Elétrica(EUA);
No cair da Noite(EUA);
Freddy vs Jason(EUA).



ESPIRITOS (SHUTTER)
dir.: Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom
2004 – Tailândia


#Outros no ano:
Jogos Mortais(EUA);
A Vila(EUA);
Todo Mundo Quase Morto(ING);
A Casa dos Pássaros Mortos(EUA);
DEAD MEAT (IRL);
Mar Aberto(EUA).


MENINA MÁ.COM (HARD CANDY)
Dir: David Slade.
2005- EUA.

#Outros no ano:
Rejeitados Pelo Diabo(EUA);
Wolf Creek - Viagem ao Inferno(AUS);
Abismo do Medo(EUA);
O Exorcismo de Emily Rose;
Sypathy for Lady Vengeance/Lady Vingança(KORS).



O LABIRINTO DO FAUNO (EL LABIRINTO DEL FAUNO)
Diretor: Guilhermo Del Toro
2006 - Espanha-México.


#Outros no ano:
Turistas(EUA,BRA);
Viagem Maldita(EUA);
Assombração(HOK);
Terror em Silent Hill (EUA);
Armadilhas do Terror(EUA).



[REC] ([REC])
Diretores: Jaume Balagueró e Paco Plaza
2007 - Espanha.


#Outros no ano:
A invasora(FRA);
O Nevoeiro(EUA);
O Orfanato(MEX);
Apartamento 1408(EUA);
Planeta Terror(EUA).



DEIXA ELA ENTRAR (LAT DEN RATTE KOMMA IN)
dir.: Thomas Alfredson
2008 – Suiça.


#Outros no ano:
Cloverfield - Monstro(EUA);
Fim dos Tempos(EUA);
Os Estranhos(EUA);
As Ruinas(EUA);
Encarnação do Demônio(BRA).



A CAPITAL DOS MORTOS (A CAPITAL DOS MORTOS)
Diretor: Tiago Belloti
2009 - Brasil


#Outros no ano:
Arrasta-me para o Inferno(EUA);
CASO 39(EUA);
Contatos de 4º Grau(EUA);
Atividade Paranormal(EUA);
Pandorum(EUA).





OBSERVAÇÕES:

[O ano de 2004, 2006, foram os melhores, em termos de bons filmes, mais sem duvidas o mais dificil de escolher foi o de 2004, tanto que TODOS os filmes que postei no referido ano, são no minimo ótimos, e inovadores, como TODO MUNDO QUASE MORTO e JOGOS MORTAIS. Conduto, acredito que o Tailândes 'Shutter' mereceu. Muito se discute se não foram os irmãos PANG com seus dramas cheios de sustos fantasmagoricos, que popularizaram a formula drama-fantasmas-revelação no final e mandarim, já em 2002 com THE EYE, conduto, no caso de Shutter, é louvável o destaque que foi, dois desconhecidos diretores, conseguirem fazer um filme "realmente assustador"(o drama embora presente, passa longe de boa parte de 'Shutter', lembrando, os bons filmes de fantasmas americanos dos anos 80, mesmo com a marca indiscutivelmente asiática da menima cabeluda) e com um mistério minimamente interessante, dentro de um gênero já em 2004 macificado ate na Asía e famoso por roteiros repetitivos e sustos previsiveis. Enfim, o filme tornou seu país, ate então conhecido mais por filmes de ação com kickboxing, ou com Rambo e Braddock, em bom celeiro para filmes de terror].


[O polêmico, censurado, lendario e imoral IMPRINT(JAP), do diretor Takashi Miike, não entrou na lista dos 'melhores de 2005', por ser da serie televisiva 'Mestres do Terror' logo, não foi exibido nos cinemas].



[Os Filmes do sul coreano Park-chan-wook, teoricamente não são de terror nem de suspense, ficariam entre dramas policiais com ação, e altas doses de violência. Contudo, dado esta violência, qualidade, e sobretudo, originalidade, seria impossivel deixa-los de fora de qualquer lista de melhores dos primeiros 10 anos de 2000-09. Atenção especial para OLDBOY que com certeza pode figurar em qualquer lista dos 05 melhores filmes GERAIS (independente de gênero) dos últimos 15 anos.]



[Dentro do Gênero Terror propriamente dito O MASSACRE DA SERRA ELETRICA, refilmagem do filme homônimo de 1979, foi o MELHOR DE 2003]

[Abaixo cartaz dele]:




[Em 2008, assistindo no cinema, eu sinceramente gostei muito de 'Cloverfield-Monstro', todavia em pleno seculo 21, conseguir fazer um filme instigante, interessante, sangrento e ate sensivel(!) sobre vampiros, sendo que o tema já era modinha antes de existir o próprio cinema, é mérito indiscutivel (vide os livros ficcionais e a vida real de figuras da Idade Media como Erzsébet Báthory - A Condessa Sangrenta, ou Vlad Tepes - O Drácula, alem do artigo disponivel aqui blog, sobre a participação e evolução que os dentuços tiveram no cinema). Sem falar que, mais do que o Tailândes "Shutter" o filme veio de um país com menos tradição ainda no cinema de terror ou suspense. Por todos esses motivos o 'casal infantil' de DEIXE ELA ENTRAR fica entre os maiores da década, tanto que já tem refilmagem norte-americana sendo produzida em tempo recorde, com a jovem Chloe Moretz, a atriz-revelação de KICK-ASS no papel da protagonista.]

VEJAM O DESTINO, O DIRETOR DE CLOVERFILD VAI FAZER A REFILMAGEM AMERICANA, E EU JURO QUE NEM DESCONFIAVA.


[Abaixo o Cartaz do Original Sueco nos EUA, e o Cartaz da Refilmagem com já Moretz:]




[Conforme deu para reparar, há algumas diferenças no ano de lançamento de alguns filmes, pois apesar de adotar na maioria dos casos o criterio de lançamento do país de origem, em outros adotei o criterio de distrubuição no BRASIL, como foi o caso de A CAPITAL DOS MORTOS que foi lançado oficialmente em 2008, mais foi em 2009 que ele ganhou uma distribuição ou divulgação mais formal, ate por que os olhos do terror tupiniquim estavam todos voltados ao Zé do Caixão, algo semelhante ocorreu com 'Menina Má.com' (Hard Candy) lançado em 2005 no EUA, só foi distruido e divulgado no Brasil em 2006, ou 'À Prova da Morte' que foi feito e exibido junto com 'Planeta Terror' nos EUA (Vide outros de 2007), mais só foi lançado no Brasil em 2010 por exemplo, porem tentem encaixar o maior numero de bons filmes possiveis, apesar do citado A PROVA DA MORTE (2007- 2010), E MADRUGADA DOS MORTOS(2003-2004) terem ficado de fora da lista por causa dessas diferenças de lançamentos e distribuições].

domingo, 23 de maio de 2010

Vampiros e Cinema.

Apesar de não escrever a um tempinho aqui, esse materia é de um Mestre do BOCA do Inferno que vale a pena postar conferir.

VAMPIROS NO CINEMA. POR JOÃO PIRES NETO.


Provavelmente não passou pela cabeça do irlandês Bram Stoker que o seu Drácula influenciaria tanto e por tanto tempo a cultura e o comportamento dos jovens ao redor do mundo. Stocker não inventou o mito do vampirismo, até por que mito não se inventa. Mas o seu misterioso personagem serviria de inspiração para o cinema, que acabaria desconstruindo, reinventando e popularizando a imagem do vampiro, chegando até aquela que conhecemos hoje.

Vampiros Mudos e em Preto e Branco



Curiosamente, a primeira adaptação de Drácula para os cinemas foi uma versão não autorizada. O cineasta alemão F. W. Murnau não conseguiu entrar em acordo com a família Stocker quanto aos direitos autorais, mas isso não o impediu de lançar em 1922 “Nosferatu - Uma Sinfonia do Horror”. Bastaram algumas alterações, Conde Drácula transformou-se em Conde Orlok e a Inglaterra de 1897 transportou-se para a Bremem alemã de 1938. Entre as sombras e as luzes do expressionismo alemão surgia o primeiro grande vampiro do cinema, interpretado pelo ator Max Schreck. Até hoje, esta versão não oficial e muda de Drácula é considerada uma das mais assustadoras, principalmente pelo visual nada sedutor do Conde: careca, corcunda, com as orelhas e os dentes pontiagudos. Uma diferença interessante entre a concepção visual do vampiro de Murnau e a imagem clássica do personagem são exatamente os dentes. Em vez de caninos, o Conde Orlok apresenta os incisivos salientes. O vampiro, em Nosferatu, é a fiel representação do horror, materializada numa criatura de aparência abominável e sedenta de sangue.

Oito anos depois, já em solo americano, a Universal Pictures daria voz a Drácula e viria a rodar o mais importante filme sobre vampiros já realizado. Esta voz traria o sotaque refinado e aristocrático do ator húngaro Bela Lugosi, que já interpretava o personagem num espetáculo em cartaz na Broadway havia alguns anos. Nascia neste momento o vampiro do modo romântico como seria eternizado pelos cinemas: educado, inteligente e sedutor. A figura do Drácula com sua elegante capa preta, os caninos protuberantes e o olhar perturbador, tornaria referência obrigatória para o gênero, influenciando todas as futuras adaptações do livro de Bram Stoker. O sucesso, de público e de crítica, e a exposição de Bela Lugosi nas várias continuações rodadas pela própria Universal transformaram o ator no primeiro grande ícone do cinema de horror. Associado à imagem do vampiro, personagem e intérprete se fundiram, criando um vínculo confuso que acompanhou a carreira do ator até a sua morte em 1956.

A Universal ficou conhecida por, após o êxito de bilheteria de Drácula, adaptar todos os chamados monstros clássicos, como “Frankenstein”, “A Múmia”, “O Lobisomem”, “O Homem Invisível” e “O Fantasma da Ópera”. Pela primeira vez o gênero fantástico entrava em evidência, tornando-se extremante popular e imortalizando outros nomes, como os dos atores Boris Karloff e Lon Chaney Jr., que juntavam-se a Bela Lugosi no hall dos primeiros ídolos americanos do cinema de horror.















No entanto, a Universal acabou explorando a exaustão o personagem criado por Bram Stoker. Continuações de qualidade duvidosa, inserindo filhos, filhas e noivas para Drácula e ainda crossovers como “A Casa de Drácula”, onde o Conde contracena com o Monstro de Frankenstein e o Lobisomem, acabaram desgastando a imagem do vampiro diante o público, que já não levava a sério as produções do estúdio. Uma última reunião dos monstros clássicos aconteceria na comédia que se tornaria o símbolo da decadência do gênero dentro do estúdio, a paródia caça-níqueis “Abbott e Costello encontram Frankenstein” (1948).

Os Vampiros em Cores da Hammer














Em 1958, a produtora inglesa Hammer adquiriu os direitos para filmagens de Drácula e dos outros célebres personagens de horror da Universal.

O primeiro grande trunfo do estúdio era uma inovação recém criada chamada technicolor. Finalmente o público veria o vermelho extravagante do sangue das pobres vítimas de Drácula. Procurando atrair ainda mais o público masculino, a Hammer não pensou duas vezes e aumentou as doses de erotismo e sensualidade, inserindo lindas mulheres em decotes quase sempre generosos.

Outra vantagem do estúdio britânico era poder contar com a paisagem do velho mundo como cenário. Enquanto os americanos utilizavam cenários artificiais, a Hammer abusava das tomadas externas, mostrando castelos verdadeiros e belas florestas naturais.

Assim como a Universal projetou os astros Bela Lugosi e Boris Karloff, a Hammer imortalizou os atores Christopher Lee como Conde Drácula e Peter Cushing como o caçador de vampiros Dr. Van Helsing. Grande parte do sucesso do novo ciclo de Dráculas do estúdio inglês deve-se a atuação marcante e enigmática de Lee.
Dentre uma dezena de produções vampíricas, quatro se destacam por marcarem um novo começo para a mitologia do personagem: “O Vampiro da Noite” (Horror of Dracula, 1958), “Drácula - O Príncipe das Trevas” (Dracula - Prince of Darkness, 1966), “Drácula - O Perfil Do Diabo” (Dracula Has Risen From the Grave, 1968) e “O Conde Drácula” (Scars of Dracula, 1970).

Mas nem só de Drácula sobreviveram os vampiros da Hammer. O estúdio resolveu adaptar o escritor que segundo os especialistas é a maior influência literária de Bram Stoker, o também irlandês Sheridan LeFanu. Foram três filmes de erotismo ainda mais acentuado, que ficaram conhecidos como a Trilogia Karnstein: “Carmilla, a Vampira de Karnstein” (The Vampire Lovers, 1970), “Luxúria de Vampiros” (Lust For a Vampire, 71) e “As Filhas de Drácula” (Twins of Evil, 71).

Eu Era Um Vampiro Adolescente


Anos 80. Foram-se os hippies. Foi-se a disco music. Foram-se os hormônios a flor da pele dos vampiros da Hammer. O mundo se renova. O cinema entra na era dos efeitos especiais e dos blockbusters. Chega a hora do cinema romper com o personagem de Bram Stoker e criar novos vampiros. Esqueça o passado e o romantismo. Os vampiros vivem no presente. Em vez de castelos, as criaturas estão nas grandes cidades. Podem ser seu vizinho. Em vez de música clássica, a trilha sonora agora é rock and roll. Os vampiros são jovens e bem-humorados.

Três filmes são emblemáticos desta fase, que alguns chamam de terrir: “A Hora do Espanto” (Fright Night, 1985), “Garotos Perdidos” (Lost Boys, 1987) e “Deu a Louca Nos Monstros” (Monster Squad, 1987).



















Vampiros em Crise

Ainda na década de oitenta surge um novo tipo de personagem no cinema: o vampiro atormentado. É o vampiro reflexo do homem moderno: inacabado, repleto de dúvidas e muitas vezes deprimido. Um dos primeiros exemplares desta nova categoria aparece numa produção de 1987, dirigida por uma mulher, a cineasta californiana Kathryn Bigelow. Em síntese “Quando Chega a Escuridão” é um road movie que narra a história de amor dramática entre uma vampira e um rapaz do interior. Outro bom exemplo de vampiros depressivos é a ótima adaptação do romance de Anne Rice, “Entrevista Com Vampiro” (Interview witth a Vampire, 1994). Em tom introspectivo e melancólico, o vampiro Louis (interpretado pelo galã Brad Pitt) conta para um jornalista todas as suas desventuras, desde que foi mordido, 200 anos antes.

Uma produção recente que merece destaque é o sutil “Deixe Ela Entrar” (Låt Den Rätte Komma In, 2008). Esta excelente produção sueca conta o drama da delicada amizade entre dois adolescentes: Oskar, um garoto solitário e esquisito que é frequentemente humilhado na escola e Eli, uma vampira que vive os seus eternos 12 anos de idade.

Retorno aos Clássicos



Com “Drácula, de Bram Stoker” (1992), o cineasta Francis Ford Coppola presta uma grande homenagem ao personagem, rodando um filme cujo roteiro tenta ser fiel ao livro e o visual (cenário, efeitos e cores) se assemelha ao das produções antigas. Seguindo esta mesma perspectiva, é lançado dois anos depois “Frankenstein, de Mary Shelley”, dirigido pelo britânico Kenneth Branagh (1994).




Em 2000, é a vez de Nosferatu ser homenageado com “A Sombra do Vampiro”. Misturando personagens reais e ficção, o filme mostra o set de filmagens da produção de 1922 sendo aterrorizado por um vampiro de verdade. A criatura seria o próprio o ator Max Schreck, interpretado brilhantemente por Willian Dafoe.

Vampiros Armados

Uma tendência da virada do milênio foi armar os vampiros. Seja com automáticas ou com espadas de samurai, como o caso de “Blade – O Caçador de Vampiros” (1998). Wesley Snipes interpreta uma espécie de guerreiro vampiro que caça outros de sua espécie num mundo dominado secretamente por criaturas da noite. A fórmula de realizar um filme de ação onde os personagens centrais são vampiros é repetida na trilogia iniciada com “Anjos da Noite” (2003), que mostra uma guerra secular entre lobisomens e vampiros, que além de seus dons sobrenaturais usam todo tipo de armamento.

Um Vampiro para as Meninas


Eis que surge o mais recente fenômeno vampírico e comercial, a série literária “Crepúsculo”, criada pela escritora americana Stephenie Meyer, cuja adaptação cinematográfica arrastou milhões de adolescentes eufóricas aos cinemas. Edward, o vampiro criado por Meyer, é o sonho de consumo de qualquer garota: bonito, bonzinho, rico e corajoso.

Mas que não nos enganemos, os atores Bela Lugosi e Christopher Lee também foram considerados símbolos sexuais no auge de suas carreiras. Aliás, a ligação entre o vampirismo e a sexualidade sempre existiu, seja no cinema ou na literatura.

Vampiras Lésbicas

Em 1971, o cineasta amalucado Jess Franco rodou uma versão lésbica e semi-erótica de Drácula chamada “Vampyros Lesbos”. Na trama, uma advogada de Istambul é enviada para um castelo para formalizar os documentos de uma herança. O detalhe é que o proprietário do castelo era o próprio Drácula e a herdeira é a bela Condessa Nadine Carody. O esperado acontece, a advogada tem uma noite de amor com a sedutora Condessa e acaba mordida. Dias depois a vítima acorda sem memórias num sanatório, mas recebendo visitas da Condessa em sonhos eróticos.

Outra produção semelhante é a comédia “Matadores de Vampiras Lésbicas” (Lesbian Vampire Killers, 2008), que mostra um pequeno vilarejo rural no interior da Europa que sofre com uma maldição ancestral: há séculos todas as mulheres do local são escravizadas por vampiras lésbicas. Isso até a chegada de dois nerds que só pensam em mulher.

Sem dúvida o filme de vampiros mais infame já produzido é “Jesus Christ Vampire Hunter” (algo como Jesus Cristo, O Caçador de Vampiros), de 2001. Na trama, os vampiros estão dizimando com a população de lésbicas no planeta. Ninguém menos que Jesus Cristo em pessoa desce a Terra para exterminar com os sangue-sugas. O mais insano é que Jesus não usa seus poderes divinos para acabar com os vampiros e sim sua habilidade em Kung Fu!






Vampiros Brasileiros

Ivan Cardoso, o mestre do terrir brasileiro, deixou sua colaboração para o gênero vampiros no cinema. Em 1987, o cineasta rodou o delicioso “As Sete Vampiras”. No roteiro de R.F. Luchetti, a mulher de um botânico é mordida por uma planta carnívora trazida da Amazônia, tornando-se uma vampira.Tempos depois ela cria um espetáculo de horror erótico chamado As Sete Vampiras, enquanto um detetive atrapalhado investiga um série de mortes que acontecem próximas ao local.


Outros Vampiros

Buscando atrair o público negro, os estúdios americanos iniciaram nos anos 70 um movimento que acabou sendo chamado de blacksploitation. Nestes filmes, os protagonistas eram sempre negros, os cenários eram bairros afroamericanos de subúrbio, a trilha sonora abusava do funk e do soul e os vilões eram intencionalmente brancos. “Blácula” (1972) é um grande clássico deste gênero (assim como o posterior “Blackenstein”, versão afro de “Frankenstein”). Na trama, o príncipe nigeriano Mamuwalke é amaldiçoado pelo próprio Conde Drácula, durante uma viagem a Transilvânia em 1780. Quase duzentos anos depois ele acorda em plena Nova York, quando o movimento black está em ebulição. Sim, caros amigos, “Blácula” é o primeiro vampiro negro do cinema. O filme ainda gerou uma sequência em 1972, chamada “Scream Blacula Scream”. Já na década de 80, o diretor Wes Craven (de “A Hora do Pesadelo”) rodou “Um Vampiro no Brooklyn” (1995), uma mal sucedida mistura de comédia, ação e terror, que parodiava o universo blacksploitation. Apesar de estrelado por Eddie Murphy, o filme foi um grande fiasco de público e de crítica.

A mais elogiada sátira ao universo de Drácula foi filmada ainda em 1967, pelo polonês Roman Polanski (de “O Bebê de Rosemary”). Em “A Dança dos Vampiros” (The Fearless Vampire Killers), o professor Abronsius, um especialista em vampiros, e seu covarde ajudante, viajam até a Transilvânia, onde esperam aprender sobre as criaturas e se possível, combatê-las. Evitando o humor mais escrachado, Polanski presta uma brilhante homenagem aos filmes do gênero.


Uma versão poética e um tanto melancólica dos vampiros é apresentada em “Fome de Viver” (The Hunger, 1983). Catherine Deneuve e o camaleão do rock David Bowie interpretam o elegante casal de vampiros Miriam e John. Para manterem-se jovens e belos, eles precisam da energia e do sangue dos seres humanos. O filme esbanja sensualidade e é considerado um dos grandes clássicos do cinema gótico. A trilha sonora conta com a emblemática canção “Bela Lugosi is Dead”, da banda inglesa Bauhaus.

Dois dos nomes mais celebrados do cinema atual, Quentin Tarantino (de “Kill Bill”) e Robert Rodriguez (de “Sin City”) se uniram em 1996 para rodar o cultuado “Um Drink no Inferno”. No filme, dois bandidos (interpretados por George Cloney e o próprio Tarantino) fazem reféns um ex-pastor e seu casal de filhos. Em fuga, eles cruzam a fronteira com o México e acabam numa boate infestada de vampiros. “Um Drink do Inferno” exagera em todos os sentidos: na trilha sonora caprichada, nos personagens curiosos, na ação, nos ótimos diálogos, nas lindas vampiras strippers e no humor pra lá de negro. Um dos filmes mais divertidos dos anos 90.